AMPARO E A SAÚDE – 📰 Amparo discute projeto “Pré-Natal Completo” após morte de gestante
A nova proposição legislativa da base do prefeito Carlos Alberto, intitulada “Pré-Natal Completo”, reacendeu o debate sobre a qualidade da assistência materno-infantil em Amparo. A iniciativa surge dias após a morte de uma gestante de Morungaba, durante atendimento na Santa Casa Anna Cintra, fato que expôs fragilidades na estrutura de atendimento obstétrico da região.
A maternidade da Santa Casa é classificada como serviço de baixa e média complexidade, sem UTI neonatal e com restrições na oferta de anestesiologia. Casos de alto risco deveriam ser encaminhados ao CAISM da Unicamp, mas o acesso é dificultado por burocracia, negativas de vagas e falhas no transporte sanitário, ainda dependente do sistema CROSS.
No município, o Centro de Saúde da Mulher conta com apenas dois ginecologistas para gestantes de média complexidade. As de baixo risco são acompanhadas nas Unidades de Saúde da Família (USFs) — justamente onde as ações previstas pelo projeto já são realizadas atualmente.
O texto da proposta não prevê novos investimentos nem ampliação estrutural, afirmando que tudo será executado “dentro da estrutura já existente”. Especialistas apontam que a Prefeitura já poderia firmar parcerias e aprimorar protocolos sem necessidade de nova lei, o que levanta dúvidas sobre o impacto prático da medida.
A morte da gestante reforça a urgência de discutir pré-natal, parto, alto risco, estrutura hospitalar e ampliação de equipes com base técnica e planejamento.
Em Amparo, o desafio vai além de legislar: é garantir que a saúde pública seja tratada com seriedade e competência, não como espetáculo político.
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