O VELÓRIO POLÍTICO DE GERALDO ALCKMIN PODE COMEÇAR APÓS O SEGUNDO TURNO

O VELÓRIO POLÍTICO DE GERALDO ALCKMIN PODE COMEÇAR APÓS O SEGUNDO TURNO

DE ANTIGO CRÍTICO DE LULA A INTEGRANTE DA CHAPA PETISTA, ALCKMIN PODE ENFRENTAR O MAIS DURO MOMENTO DE SUA TRAJETÓRIA POLÍTICA

Existe uma expressão que resume bem determinados momentos da política brasileira: velório político.

E, dependendo do resultado das eleições presidenciais de 2026, esse pode ser o cenário reservado a Geraldo Alckmin após o segundo turno.

Alckmin construiu sua trajetória política durante décadas em um campo completamente diferente daquele ocupado atualmente ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva. Em eleições anteriores, foi um dos adversários mais duros do petista e protagonizou críticas contundentes ao projeto político de Lula.

Uma das declarações mais lembradas desse período foi justamente a afirmação de que Lula pretendia “voltar à cena do crime”, frase que marcou o discurso de oposição ao Partido dos Trabalhadores.

O tempo passou.

O cenário político mudou.

E Alckmin mudou de lado.

A antiga oposição transformou-se em aliança, e o ex-governador de São Paulo passou a ocupar a Vice-Presidência da República ao lado daquele que, anos antes, havia combatido politicamente.

É justamente essa transformação que poderá ser cobrada nas urnas.

DE PROTAGONISTA A COADJUVANTE

A questão não é apenas eleitoral. É também política e histórica.

Caso a chapa formada por Lula e Alckmin seja derrotada no segundo turno de 2026, começará imediatamente uma disputa pelo futuro dentro do próprio campo político que hoje ocupa o Palácio do Planalto.

Nesse cenário, Alckmin poderá descobrir que alianças políticas construídas pelo poder também podem desaparecer rapidamente quando o poder termina.

O que hoje parece uma posição de enorme relevância pode transformar-se, depois da eleição, em isolamento político.

E é aí que entra o chamado velório político.

Não se trata de morte física, evidentemente. Trata-se da perda de protagonismo, influência, espaço e capacidade de conduzir os rumos da política nacional.

A POLÍTICA NÃO PERDOA O PASSADO — E MUITO MENOS AS CONTRADIÇÕES

A trajetória de Alckmin oferece um exemplo clássico das contradições da política brasileira.

O homem que enfrentou Lula passou a governar ao lado de Lula.

O adversário do PT passou a integrar uma chapa liderada pelo PT.

O político que utilizou a expressão “cena do crime” para atacar o retorno de Lula ao poder passou a dividir com ele o comando do país.

Para seus críticos, essa transformação representa uma das maiores mudanças de posicionamento da política brasileira contemporânea.

Para seus aliados, foi uma decisão pragmática e necessária diante da realidade política.

Mas a conta definitiva poderá chegar justamente nas urnas.

DEPOIS DO RESULTADO, COMEÇA OUTRA ELEIÇÃO

Se a chapa for derrotada, a eleição presidencial não será apenas o encerramento de uma disputa.

Será o início de uma nova batalha pelo controle político do campo governista.

E, nesse novo cenário, a pergunta será inevitável:

QUAL SERÁ O ESPAÇO DE GERALDO ALCKMIN DEPOIS DA DERROTA?

Ele continuará sendo uma liderança nacional relevante?

Terá força para disputar novos espaços?

Conseguirá reconstruir sua imagem junto ao eleitorado que acompanhou sua trajetória?

Ou ficará marcado como mais um personagem que chegou ao centro do poder e acabou politicamente isolado quando as urnas fecharam?

O segundo turno poderá responder.

O VELÓRIO POLÍTICO

Se a derrota acontecer, o verdadeiro velório não será realizado em um salão.

Será realizado politicamente.

Sem faixas, sem flores e sem cerimônia.

Será o velório de uma carreira que já foi uma das mais importantes da política paulista e nacional e que poderá terminar, para seus críticos, marcada pela mais controversa aliança de sua trajetória.

Alckmin poderá perceber que, depois do poder, nem todos os antigos aliados permanecem.

E que, na política, quando os votos desaparecem, muitas vezes desaparecem também os companheiros de ocasião.

O TEMPO DIRÁ SE O SEGUNDO TURNO DE 2026 SERÁ APENAS MAIS UMA ELEIÇÃO OU O CAPÍTULO FINAL DA CARREIRA POLÍTICA DE GERALDO ALCKMIN.

ROBERTÃO CHAPA QUENTE acompanha os acontecimentos políticos e registra os fatos, as contradições e as transformações da política brasileira.

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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