A ESQUERDA JÁ TERIA INICIADO UMA DISPUTA NARRATIVA: DESCONSTRUIR TARCÍSIO E FORTALECER JANONES PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES
A BATALHA PELO PODER COMEÇA MUITO ANTES DAS URNAS. E, NA POLÍTICA, CONTROLAR A NARRATIVA PODE SER TÃO IMPORTANTE QUANTO CONQUISTAR VOTOS.
A disputa pelas próximas eleições já começa a ganhar contornos de uma verdadeira batalha de comunicação. De um lado, Tarcísio de Freitas, um nome que representa uma alternativa política importante para o campo da oposição ao governo federal. Do outro, André Janones, uma das figuras mais conhecidas da militância digital ligada à esquerda.
Na avaliação de setores da oposição, começa a se desenhar uma estratégia política que merece atenção: enfraquecer a imagem de Tarcísio perante a opinião pública e, simultaneamente, ampliar a exposição de Janones como uma liderança capaz de ocupar espaço no debate nacional.
Não se trata apenas de apresentar propostas ou discutir projetos para o Brasil. Trata-se de disputar a percepção da população, estabelecer personagens, criar narrativas, explorar desgastes e transformar adversários em alvos permanentes de questionamentos.
A POLÍTICA DAS NARRATIVAS
Na era das redes sociais, uma campanha eleitoral não começa necessariamente com convenções partidárias, discursos em palanques ou distribuição de material de campanha. Ela pode começar muito antes, por meio de vídeos, publicações, influenciadores, declarações e campanhas de comunicação.
A construção de uma imagem pública exige tempo. Da mesma maneira, a desconstrução da imagem de um adversário pode ser alimentada por críticas sucessivas, recortes de declarações, confrontos políticos e repetição de determinadas mensagens.
É justamente nesse ambiente que a oposição precisa estar atenta. Afinal, quando a discussão política deixa de priorizar resultados, propostas e capacidade administrativa para se concentrar exclusivamente na destruição da reputação de adversários, quem perde é o debate democrático.
TARCÍSIO E JANONES: DOIS NOMES EM UMA DISPUTA DE VISIBILIDADE
Tarcísio de Freitas não pode ser avaliado apenas pelas narrativas de seus adversários. Sua trajetória, suas decisões administrativas, seus resultados e suas propostas precisam ser submetidos ao julgamento público.
Da mesma forma, André Janones precisa ter sua atuação política examinada pelo mesmo critério: declarações, posicionamentos, propostas e comportamento público.
Ninguém deve receber aprovação automática por pertencer a determinado grupo político. Tampouco deve ser condenado simplesmente por representar uma corrente ideológica diferente.
O eleitor brasileiro precisa ter acesso a informações, comparar trajetórias e decidir sem ser tratado como massa de manobra.
TAL PAI, TAL FILHO: A REPETIÇÃO DE MÉTODOS POLÍTICOS?
A expressão popular ganha espaço nesse debate como uma provocação sobre a repetição de comportamentos e estratégias no ambiente político. Mas a política não pode ser conduzida apenas por slogans. É preciso identificar quem faz o quê, quais são os métodos utilizados e quais interesses estão por trás de cada movimento.
O Brasil já assistiu a inúmeras disputas em que a comunicação foi utilizada como instrumento de poder. A diferença, agora, é a velocidade com que uma narrativa pode alcançar milhões de pessoas.
O ELEITOR NÃO PODE SER ESQUECIDO
A pergunta fundamental é: quem está discutindo os problemas reais do Brasil?
Enquanto lideranças políticas disputam espaço, o cidadão continua preocupado com segurança pública, saúde, educação, emprego, impostos, inflação e custo de vida.
O país não precisa de uma guerra permanente de personalidades. Precisa de políticos capazes de apresentar soluções, assumir responsabilidades e prestar contas à população.
Se existe uma estratégia para enfraquecer Tarcísio e fortalecer Janones, ela precisa ser enfrentada com informação, transparência e debate público, não com desinformação ou ataques pessoais.
Uma coisa é certa: as próximas eleições serão decididas também no campo da comunicação. Mas o eleitor precisa compreender que nem tudo o que viraliza é verdade, nem toda crítica é perseguição e nem toda propaganda representa um projeto de governo.
Afinal, uma democracia madura não escolhe seus representantes pela quantidade de ataques que conseguem produzir contra os adversários, mas pela capacidade que demonstram de melhorar a vida da população.
Robertão Chapa Quente acompanha os movimentos do cenário político nacional.
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Conteúdo de Roberto Torrecilhas publicado originalmente no Circuito Paulista.

