VOTAR PRA QUÊ, SE EU NÃO CONFIO NA JUSTIÇA ELEITORAL?
Essa é uma pergunta que, como jornalista, recebo praticamente todos os dias:
“Pra que votar, se eu não confio na Justiça Eleitoral?”
E talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que precisamos enfrentar antes de qualquer eleição.
A questão não deveria ser apenas em quem votar, mas também por que votar.
Quando uma pessoa perde a confiança em uma instituição, é natural que passe a questionar todo o processo. E democracia não se fortalece proibindo perguntas, censurando dúvidas ou tratando todo questionamento como ameaça.
Pelo contrário: instituições democráticas precisam ser capazes de prestar contas, explicar seus procedimentos e conviver com a fiscalização da sociedade.
Mas existe também outro lado.
Se o cidadão deixa de votar, sua insatisfação não desaparece. A eleição continua acontecendo. Os candidatos continuam disputando os votos daqueles que comparecerem às urnas. E as decisões tomadas pelos eleitos continuarão afetando a vida de quem votou e de quem decidiu não votar.
Por isso, talvez a pergunta precise ser reformulada:
Se eu não confio, devo simplesmente abandonar o processo ou devo participar, fiscalizar, questionar e cobrar transparência?
Votar não significa necessariamente declarar confiança absoluta em uma instituição.
Votar pode significar exercer um direito, escolher entre as opções disponíveis e, depois da eleição, continuar cobrando aqueles que receberam o mandato.
E há algo ainda mais importante: democracia não termina no dia da eleição.
Ela continua na fiscalização dos políticos, na liberdade de imprensa, na cobrança por transparência, na participação popular e no direito de questionar decisões das instituições.
Portanto, quem pergunta “votar pra quê?” merece uma resposta séria — não um discurso pronto.
E quem pergunta “posso confiar?” também merece respostas, provas, transparência e explicações.
Porque uma democracia forte não é aquela em que ninguém questiona.
É aquela em que o cidadão pode questionar e ainda assim participar.
No fim das contas, a decisão de votar é individual.
Mas uma coisa é certa: se o cidadão abrir mão de participar da escolha, outras pessoas escolherão por ele.
E talvez essa seja a reflexão que realmente precisamos levar para as próximas eleições.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
TV CIRCUITO PAULISTA / JORNAL DIGITAL REGIONAL / RÁDIO NOTICIA

