SIP SE DIZ ALARMADA COM QUEBRA DO SIGILO DA FONTE NO BRASIL

SIP SE DIZ ALARMADA COM QUEBRA DO SIGILO DA FONTE NO BRASIL

ENTIDADE INTERNACIONAL ALERTA PARA O RISCO À LIBERDADE DE IMPRENSA E AFIRMA QUE O CASO PODE CRIAR UM PERIGOSO PRECEDENTE PARA O JORNALISMO BRASILEIRO

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) declarou estar alarmada com a operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que levou à identificação de uma fonte de um jornalista durante uma investigação.

Para a entidade, a proteção das fontes confidenciais é uma garantia essencial ao exercício do jornalismo. A SIP alertou que a identificação de uma fonte por meio da análise de equipamentos apreendidos de um profissional da imprensa representa uma grave ameaça à liberdade de imprensa e pode intimidar pessoas que tenham informações de interesse público e desejem repassá-las aos jornalistas.

O caso ganhou repercussão depois que uma operação policial atingiu uma pessoa apontada como fonte de reportagens publicadas por um jornalista do Maranhão. A investigação sustenta que havia suspeitas de práticas criminosas envolvendo o fornecimento de informações e possíveis ameaças relacionadas à segurança de um ministro do STF e de seus familiares. Moraes afirma que o sigilo da fonte não pode ser utilizado como proteção para eventual prática criminosa.

O problema, porém, vai muito além de uma disputa entre autoridades, investigadores e jornalistas.

O ponto central é saber até onde o Estado pode avançar para descobrir uma fonte jornalística.

Se um jornalista sabe que seus equipamentos podem ser vasculhados para descobrir quem lhe passou uma informação, qualquer cidadão que tenha conhecimento de algo relevante pode pensar duas vezes antes de procurar a imprensa.

E é justamente aí que mora o perigo.

O jornalismo investigativo depende de fontes. Denúncias envolvendo corrupção, abuso de poder, irregularidades administrativas e outros fatos de interesse público frequentemente chegam às redações por pessoas que precisam de proteção para falar.

A SIP considera que enfraquecer essa proteção pode produzir um efeito de intimidação sobre toda a imprensa. Outras entidades jornalísticas brasileiras também manifestaram preocupação com o episódio.

NÃO SE TRATA DE DAR CARTA BRANCA PARA JORNALISTA.

Se houver crime, fraude, ameaça ou qualquer outra ilegalidade, jornalistas também devem responder perante a lei.

Mas uma coisa é investigar um possível crime cometido por um profissional da imprensa. Outra, completamente diferente, é transformar a descoberta de suas fontes em instrumento de investigação.

É justamente essa fronteira que agora está no centro do debate.

Quando uma fonte deixa de confiar no jornalista, o silêncio pode substituir a denúncia.

E quando o medo substitui a informação, quem perde não é apenas o jornalista. É a sociedade.

ROBERTÃO CHAPA QUENTE
Jornalismo independente, direto e sem medo de perguntar.
TV CIRCUITO PAULISTA — A ORIGINAL
JORNAL DIGITAL REGIONAL

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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