O Velho que Vendia Ilusão

O Velho que Vendia Ilusão

Naquela cidade marcada pela pobreza e pela esperança sempre adiada, havia um homem cujo nome atravessava gerações: Mulá Omar. Hoje, aos 80 anos, já não fala coisa com coisa. Ficou gago, mistura lembranças com promessas antigas, e suas frases desconexas soam como ecos de um passado que não volta. Mas ninguém esquece quem ele foi: o grande vendedor de ilusões.

Nos tempos de juventude, Mulá Omar era vigoroso, astuto e carismático. Trabalhava nas feiras, nas praças, nos comícios improvisados, sempre com a mesma habilidade: transformar miséria em expectativa. Prometia fartura, dizia que o povo iria comer picanha, mas o que chegava à mesa era apenas abóbora. Garantia viagens e prosperidade, mas o que sobrava eram dívidas que se acumulavam como correntes invisíveis.

Ele não vendia produtos, vendia esperança. Sua voz tinha o poder de fazer o povo acreditar que o amanhã seria melhor. E o povo, cansado mas crédulo, seguia confiando. Ano após ano, promessa após promessa, a vida seguia sem que nada mudasse.

Mulá Omar construiu sua reputação como quem ergue um castelo de areia: belo à distância, mas frágil ao toque. E quando a velhice chegou, trouxe consigo a ruína. O corpo já não obedecia, a mente se confundia, e suas palavras se tornaram ruínas de um império de enganações. Ainda tentava convencer os outros de que dias melhores estavam por vir, mas já não havia quem acreditasse.

Hoje, sentado à porta de casa, o velho gago repete frases desconexas, como se ainda vendesse ilusões. Mas sua história ficou registrada não como a de um sábio, nem como a de um líder, e sim como a de um símbolo da desilusão.

Porque no fim, a verdade ecoa como sentença amarga:
“Aquele que acreditou que ia comer picanha está comendo abóbora até hoje.”

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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