DEPOIS DE EMBATE NO STF, FACHIN E DINO SE ABRAÇAM LONGE DAS CÂMERAS

MINISTROS PROTAGONIZARAM MOMENTOS DE TENSÃO DURANTE A SESSÃO, MAS DEIXARAM O PLENÁRIO CONVERSANDO E ATÉ RINDO; MENDONÇA TAMBÉM TEVE CONVERSA RESERVADA COM DINO
BRASÍLIA — A sessão histórica do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira (15) teve momentos de forte tensão diante das câmeras, mas também revelou um cenário bem diferente nos bastidores.
Durante o intervalo da sessão que analisa a possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Flávio Dino se abraçaram fora do alcance das câmeras, depois de um confronto público entre os dois durante os debates sobre a condução do caso Moraes-Vorcaro. A cena foi registrada pelo Poder360.
O contraste chamou atenção. Minutos antes, Dino havia questionado a condução adotada por Fachin e defendido que o processo permanecesse sob responsabilidade de André Mendonça. Segundo Dino, a decisão de Fachin de assumir a condução do caso não teria respaldo constitucional.
TENSÃO NO PLENÁRIO
A manhã foi marcada por divergências entre integrantes da Corte.
Dino e Gilmar Mendes questionaram a condução do processo e defenderam mudanças na forma como o caso vinha sendo tratado. Mendonça, relator do caso relacionado ao Banco Master, também entrou no centro das discussões.
O próprio Fachin, ao abrir a sessão, reconheceu que o Supremo atravessa um período difícil e fez um apelo por serenidade. O presidente da Corte afirmou que divergências são legítimas, mas que confrontos pessoais devem ser evitados.
O ABRAÇO QUE NÃO FOI TRANSMITIDO
Quando Fachin encerrou a primeira parte dos trabalhos, os ministros começaram a deixar o plenário em direção à área reservada para o intervalo.
Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes foram alguns dos primeiros a sair.
Enquanto isso, André Mendonça e Flávio Dino permaneceram conversando reservadamente.
Na sequência, Dino se aproximou de Fachin e os dois se abraçaram.
Segundo o relato do Poder360, depois do momento de tensão diante das câmeras, os ministros seguiram conversando durante o trajeto e chegaram a rir entre si. Cármen Lúcia também estava no grupo. Luiz Fux e André Mendonça foram os últimos a deixar o plenário.
UM CONTRASTE QUE CHAMOU ATENÇÃO
O episódio expõe uma característica peculiar da sessão desta terça-feira.
De um lado, o país acompanhou ao vivo uma das discussões mais delicadas já enfrentadas pelo Supremo, com ministros divergindo publicamente sobre a condução de um caso que envolve um integrante da própria Corte.
Do outro, longe das câmeras, os mesmos ministros conversaram, trocaram gestos de cordialidade e, no caso de Fachin e Dino, chegaram a se abraçar.
A cena mostra que o embate institucional transmitido ao vivo não necessariamente se transforma em ruptura pessoal entre os ministros.
UM JULGAMENTO INÉDITO
O STF analisa nesta terça-feira, pela primeira vez em sua história, a possibilidade de abertura de uma investigação criminal contra um de seus próprios integrantes.
O caso envolve Alexandre de Moraes e informações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de material analisado pela Polícia Federal. A sessão, entretanto, não representa um julgamento de culpa de Moraes. O que está em discussão é se haverá ou não abertura de investigação.
O julgamento foi interrompido para o intervalo e deverá prosseguir com a análise das questões de ordem apresentadas pelos ministros. Entre elas está uma proposta de Flávio Dino para que a discussão seja adiada para 23 de setembro.
ENTRE O CONFRONTO E A CORDIALIDADE
A imagem de Fachin e Dino se abraçando depois de uma manhã de confrontos resume, de certa forma, a complexidade do momento vivido pelo Supremo.
NO PLENÁRIO, DIVERGÊNCIAS. NOS BASTIDORES, CONVERSAS E GESTOS DE CORDIALIDADE.
Agora, resta saber se essa aparente trégua será suficiente para reduzir a tensão que tomou conta da Corte no julgamento que colocou o próprio STF diante de um de seus momentos mais delicados.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE ACOMPANHA OS DESDOBRAMENTOS DO CASO.
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