LULA FALA EM PERDOAR DÍVIDAS A 12 DIAS DO SEGUNDO TURNO: OS MEIs E MICROEMPRESÁRIOS NÃO ESQUECEM O PREÇO DA CRISE!
DEPOIS DE ANOS DE DIFICULDADES, ENDIVIDAMENTO E PRESSÃO SOBRE OS PEQUENOS NEGÓCIOS, ANÚNCIO DE PERDÃO DE DÍVIDAS LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE O MOMENTO ESCOLHIDO PELO GOVERNO. “QUEM NÃO PERDOA O LULA SOMOS NÓS, MEIs E MICROEMPRESÁRIOS!”
O brasileiro que empreende conhece uma realidade que não aparece nos discursos de palanque. Conhece o peso dos impostos, o custo dos fornecedores, os juros, as contas de energia, o aluguel, a folha de pagamento e a luta diária para manter as portas abertas. Sabe o que significa trabalhar de sol a sol e, mesmo assim, terminar o mês sem dinheiro suficiente para pagar todas as obrigações.
É nesse cenário que surge o anúncio de perdão de dívidas para os Microempreendedores Individuais (MEIs), a apenas 12 dias do segundo turno das eleições. A pergunta que não pode ser ignorada é: por que uma medida dessa dimensão aparece justamente agora?
Para milhões de pequenos empresários, a iniciativa desperta indignação e desconfiança. Afinal, quem passou anos tentando manter seu negócio de pé sabe que nenhuma dívida desaparece sem consequências econômicas. E quem precisou fechar as portas não recupera automaticamente o patrimônio, os clientes e os anos de trabalho perdidos com um anúncio feito em período eleitoral.
O EMPREENDEDOR NÃO VIVE DE PROMESSAS
Enquanto o governo apresenta medidas de alívio financeiro, milhares de pequenos empresários continuam enfrentando dificuldades para equilibrar as contas, manter os funcionários e honrar seus compromissos.
O MEI não tem uma grande estrutura financeira por trás de si. Muitas vezes, é o próprio trabalhador que compra a mercadoria, atende o cliente, paga os impostos, organiza o estoque e tenta fazer o dinheiro render até o fim do mês.
Quando as contas não fecham, não existe uma solução mágica. O empresário precisa escolher qual boleto pagar, negociar com fornecedores e, em muitos casos, recorrer ao crédito para impedir que o negócio pare.
Por isso, qualquer política de renegociação ou perdão de dívidas precisa ser examinada com seriedade. É necessário conhecer os critérios, o custo para os cofres públicos, os beneficiários e os efeitos sobre quem se esforçou para manter seus impostos em dia.
Quem pagou suas obrigações também merece respeito. Quem perdeu sua empresa também merece respostas. E quem ainda luta para sobreviver não pode ser tratado como instrumento de propaganda política.
POR QUE SÓ AGORA, A 12 DIAS DO SEGUNDO TURNO?
O momento do anúncio é um dos principais motivos para o questionamento político. Quando um governo apresenta benefícios econômicos às vésperas de uma eleição, a população tem o direito de perguntar se a iniciativa foi planejada para atender a uma necessidade concreta ou se também busca melhorar a imagem do governante diante dos eleitores.
A proximidade da votação, isoladamente, não prova irregularidade nem demonstra intenção de comprar votos. Mas torna indispensável a transparência sobre o planejamento da medida, sua tramitação, seus custos e seus objetivos.
Se o problema dos pequenos empreendedores era conhecido há tanto tempo, por que a solução está sendo apresentada neste momento? Quais estudos sustentam a proposta? Quantos empresários serão efetivamente beneficiados? E quais garantias existem de que o programa terá continuidade e não ficará restrito ao impacto de um anúncio eleitoral?
São perguntas legítimas, que merecem respostas claras.
QUEM NÃO ESQUECE É O EMPRESÁRIO QUE LUTOU PARA SOBREVIVER
Uma proposta de perdão de dívidas pode ajudar determinados empreendedores a regularizar sua situação. Isso não apaga, porém, as dificuldades enfrentadas por quem acumulou prejuízos, perdeu clientes, encerrou atividades ou comprometeu o patrimônio da família para tentar salvar o negócio.
Também não se pode afirmar, sem dados comparativos, que o governo Lula tenha sido responsável sozinho pelo fechamento de milhões de empresas. A situação dos pequenos negócios depende de diversos fatores econômicos, e uma avaliação séria exige números, períodos e evidências.
Mas existe uma cobrança que não pode ser ignorada: o governo precisa explicar o que fez para evitar que os pequenos negócios chegassem ao endividamento e por que as medidas de apoio anunciadas agora não foram suficientes, ou não chegaram antes, a quem precisava delas.
O empreendedor não quer depender de favores políticos. Quer condições para trabalhar, crédito com custos suportáveis, segurança jurídica, previsibilidade tributária e uma economia que permita planejar o futuro.
MEIs E MICROEMPRESÁRIOS EXIGEM RESPEITO!
O pequeno empresário não pede privilégio. Pede regras claras, impostos compatíveis com sua capacidade financeira, menos burocracia e políticas econômicas que não mudem de acordo com a conveniência eleitoral.
Se o governo pretende perdoar dívidas, deve explicar quem será contemplado e como a medida será financiada. Deve esclarecer também o que será feito para impedir que os beneficiários voltem a acumular débitos e para apoiar aqueles que não se enquadram nas condições do programa.
Não basta anunciar um benefício. É preciso criar condições para que o empreendedor continue trabalhando depois que a campanha eleitoral terminar.
O Brasil precisa de uma política consistente para os pequenos negócios, e não de soluções improvisadas que ganham destaque em momentos decisivos da disputa política.
NOSSA RESPOSTA: O EMPREENDEDOR MERECE MAIS DO QUE PROMESSAS!
Aos MEIs e microempresários brasileiros fica uma reflexão: a avaliação de qualquer governo deve considerar seus resultados, suas decisões econômicas e os efeitos concretos sobre a vida de quem trabalha e produz.
O anúncio de perdão de dívidas merece ser analisado pelos benefícios que pode gerar, pelos custos envolvidos e pelo momento em que foi apresentado. A população tem o direito de cobrar explicações e de decidir seu voto com base em informações, não apenas em promessas.
Quem não perdoa o Lula somos nós, MEIs e microempresários!
Essa é a manifestação política de quem está cansado de enfrentar dificuldades e quer respostas sobre o futuro dos pequenos negócios. Não se trata de negar que um programa de regularização possa ajudar determinadas famílias empresárias. Trata-se de exigir que o governo seja cobrado por suas decisões durante todo o mandato, e não apenas quando os votos estão em disputa.
O pequeno empreendedor não é figurante de campanha. É trabalhador, contribuinte e gerador de empregos. Merece respeito antes, durante e depois das eleições.
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Conteúdo de Roberto Torrecilhas publicado originalmente no Circuito Paulista.

