LULA DEFENDE LIMITE DE UM CARTÃO DE CRÉDITO POR PESSOA E DIZ QUE DISCUTE MEDIDA COM BANCO CENTRAL
Presidente afirma que governo avalia restringir a emissão de cartões adicionais como parte de medidas para combater o endividamento das famílias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo está discutindo com o Banco Central a possibilidade de limitar a quantidade de cartões de crédito oferecidos pelos bancos a cada pessoa. A declaração foi feita durante entrevista ao Flow Podcast, na quinta-feira (1º).
Segundo Lula, a intenção seria impedir que os bancos ofereçam mais de um cartão de crédito ao mesmo cliente. O presidente relacionou a proposta ao aumento do endividamento das famílias e criticou a facilidade com que instituições financeiras disponibilizam cartões, inclusive, segundo ele, sem solicitação prévia dos consumidores.
A proposta, entretanto, ainda está em discussão e não representa uma proibição atualmente em vigor. Lula afirmou que o assunto está sendo tratado com a equipe econômica e com o Banco Central.
JUROS DO CARTÃO ENTRARAM NO CENTRO DA DISCUSSÃO
Durante a entrevista, Lula também criticou os juros cobrados no cartão de crédito e defendeu mudanças na política de concessão de crédito.
Dados divulgados pelo Banco Central indicam que a taxa média anual do crédito rotativo chegou a 449,4% em agosto de 2026, uma das modalidades mais caras do sistema financeiro brasileiro.
O próprio Banco Central vem demonstrando preocupação com o nível de endividamento das famílias. Em documentos recentes, a autoridade monetária afirmou que o endividamento permanece elevado e que prepara medidas relacionadas ao mercado de crédito.
PROPOSTA AINDA PRECISA SER DETALHADA
Caso avance, a medida precisará estabelecer como funcionaria o limite, quais situações seriam abrangidas e como seriam tratados cartões já existentes, cartões adicionais e diferentes instituições financeiras.
Dados citados pela Reuters apontam que o Brasil possui cerca de 96 milhões de usuários de cartão de crédito, enquanto 52,8 milhões mantêm saldo no rotativo ou em parcelamentos com cobrança de juros.
Até o momento, portanto, trata-se de uma proposta anunciada pelo presidente e em discussão com o Banco Central, e não de uma determinação já aplicada aos consumidores.
A discussão coloca novamente no centro do debate a relação entre acesso ao crédito, juros, educação financeira e endividamento das famílias brasileiras.
Conteúdo de Roberto Torrecilhas publicado originalmente no Circuito Paulista.

