LIDERANÇAS CRISTÃS NÃO PODEM TRANSFORMAR A FÉ EM CABRESTO ELEITORAL

Orientação religiosa é uma coisa. Pressão, constrangimento e tentativa de controlar o voto do fiel são outra — e a liberdade de escolha precisa ser respeitada.
Em período eleitoral, surge uma discussão que precisa ser tratada com seriedade: até onde uma liderança religiosa pode orientar seus seguidores politicamente?
Líderes cristãos podem apresentar suas convicções, defender valores, declarar publicamente suas preferências e até apoiar candidatos. O problema começa quando a orientação deixa de ser uma manifestação de opinião e passa a ser pressão, ameaça, constrangimento ou tentativa de obrigar alguém a votar em determinado candidato.
No Brasil, o voto é livre, secreto e direto. Ninguém deve ser submetido a constrangimento para revelar ou direcionar sua escolha nas urnas.
A fé não pode ser utilizada como instrumento de controle eleitoral. Igreja é lugar de consciência, princípios e liberdade. O púlpito não deveria se transformar em curral eleitoral, muito menos a relação entre líder e liderado ser usada para impor uma escolha política.
O eleitor pode ouvir seu pastor, padre, líder ou qualquer outra autoridade religiosa — mas a decisão final pertence exclusivamente a ele.
E existe uma diferença fundamental entre convencer e obrigar.
Defender um candidato faz parte da liberdade de expressão. Tentar controlar o voto de alguém por meio de medo, ameaça, pressão espiritual ou abuso de autoridade é uma situação muito mais grave e que pode exigir análise das autoridades eleitorais, conforme as circunstâncias concretas.
FÉ NÃO É CABRESTO. CONSCIÊNCIA NÃO SE VENDE. E VOTO NÃO TEM DONO.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
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