Jaguariúna Rodeo Festival 2024: tradição, altos e baixos e um encerramento para ficar na memória

30 de setembro de 2024

A noite de 28 de setembro de 2024, no Jaguariúna Rodeo Festival, reuniu Bruno & Marrone, Gustavo Mioto, Nattan e Dennis em uma programação bastante diversa. Foi uma daquelas noites em que o evento conseguiu entregar momentos muito diferentes entre si: nostalgia, repertórios conhecidos, algumas ressalvas pessoais e, no final, uma apresentação capaz de renovar a energia do público.

O Jaguariúna Rodeo Festival já é um evento tradicional e, justamente por isso, é interessante observar não apenas os artistas que passam pelo palco, mas também a evolução da estrutura e da experiência oferecida ao público ao longo dos anos.

E, nesse ponto, uma mudança me chamou bastante a atenção nesta edição: a melhoria na estrutura dos banheiros.

Pode parecer um detalhe pequeno diante de grandes shows, iluminação, palco e produção, mas para quem realmente passa horas dentro de um evento desse porte, esse tipo de estrutura faz muita diferença. A presença de banheiros convencionais, em vez da dependência quase exclusiva dos banheiros químicos, foi uma melhoria que considero muito positiva.

Em festivais e rodeios, é comum que toda a atenção esteja voltada para o palco, mas conforto, organização, circulação, limpeza e infraestrutura também fazem parte da experiência. Nesse sentido, foi possível perceber uma evolução importante.

Bruno & Marrone e a força de voltar às origens

A abertura com Bruno & Marrone trouxe algo que, para mim, combina muito com Jaguariúna: tradição.

A dupla já carrega uma história enorme dentro da música sertaneja e sua presença em um evento como esse desperta imediatamente uma sensação de nostalgia. Não é apenas assistir a mais um show. É ouvir músicas que fizeram parte de diferentes fases da vida de muita gente e perceber como determinados sucessos continuam funcionando mesmo depois de tantos anos.

Existe algo especial em um repertório que consegue atravessar gerações.

Na minha percepção, Bruno & Marrone trouxeram justamente isso. Um show que remete às origens, que conversa com quem acompanha sertanejo há muitos anos e que também relembra uma época em que o gênero tinha outra estética, outra forma de contar histórias e outra maneira de se relacionar com o público.

Em determinados momentos, a sensação é de reencontro.

Reencontro com músicas antigas, com lembranças e com aquela essência do sertanejo romântico que ajudou a consolidar a dupla como um dos maiores nomes do gênero.

Por isso, ver Bruno & Marrone abrindo uma noite do Jaguariúna Rodeo Festival acaba se tornando quase um clássico. É uma escolha que faz sentido com a identidade do próprio evento.

Gustavo Mioto: um bom artista, mas um show que me pareceu repetitivo

Gustavo Mioto.

Aqui entra uma percepção muito pessoal.

Reconheço a qualidade do artista, sua presença no cenário sertanejo e a quantidade de músicas conhecidas que possui. No entanto, desta vez, o show não conseguiu me prender da mesma forma.

A principal razão foi a sensação de já ter visto praticamente aquela mesma apresentação em outras ocasiões.

O repertório, em minha percepção, permaneceu muito próximo do que ele já vinha apresentando em outros anos, sem grandes surpresas ou mudanças capazes de criar uma experiência realmente nova.

Quando você acompanha um artista mais de uma vez, naturalmente passa a esperar alguma evolução no espetáculo. Isso não significa abandonar os sucessos que o público quer ouvir, mas talvez reorganizar o repertório, incluir novas versões, criar novos momentos ou simplesmente construir uma dinâmica diferente.

No caso de Gustavo Mioto, senti falta disso.

Em alguns momentos, o show acabou se tornando um pouco cansativo para mim justamente pela previsibilidade. A sensação era de saber qual seria o caminho da apresentação antes mesmo de ela avançar.

E isso é algo interessante na música ao vivo: um artista pode ser tecnicamente muito bom, possuir grandes músicas e ainda assim não conseguir gerar a mesma conexão todas as vezes.

Foi exatamente a impressão que tive naquela noite.

Não considero uma apresentação ruim. Apenas não foi, para mim, uma das mais marcantes daquela edição.

Nattan: talento musical, mas com ressalvas pessoais

Nattan.

Musicalmente, considero que ele tem talento. É um cantor que sabe conduzir um palco, conversar com o público e trabalhar bem uma apresentação voltada para grandes eventos.

Sua energia combina com festivais e há uma facilidade evidente na maneira como ele conduz músicas mais animadas.

Mesmo assim, sua presença naquela noite não representou, para mim, uma das atrações mais fortes da programação.

E aqui também faço questão de deixar claro que se trata de uma avaliação pessoal.

Nos últimos tempos, algumas polêmicas envolvendo o artista nas redes sociais acabaram influenciando minha percepção sobre sua figura pública. Independentemente da qualidade musical, essas questões acabam interferindo na forma como cada pessoa recebe um artista.

É impossível separar completamente música, comportamento público e identificação pessoal.

Por isso, mesmo reconhecendo que Nattan entrega um bom desempenho como cantor e entertainer, sua apresentação não tinha, para mim, o mesmo peso de expectativa que outros nomes daquela noite.

Ainda assim, ele cumpriu bem seu papel na programação e conseguiu manter o público envolvido.

Dennis e o momento em que a noite muda completamente

Dennis.

Talvez o maior acerto da programação tenha sido justamente deixá-lo para o encerramento.

Depois de várias horas de música predominantemente sertaneja, o show de Dennis muda completamente a atmosfera do evento. A batida muda, a iluminação muda, o ritmo muda e, consequentemente, o comportamento do público também muda.

É praticamente um segundo fôlego para a noite.

Dennis possui uma capacidade muito grande de transformar o palco em uma experiência visual e sonora. Não é apenas uma sequência de músicas. Existe toda uma construção de espetáculo envolvendo iluminação, efeitos, transições e interação.

E, para um encerramento de festival, isso funciona muito bem.

Mesmo quem já está cansado depois de horas dentro do recinto acaba encontrando energia novamente.

Naquela noite, tive exatamente essa sensação.

O público parecia ganhar uma nova disposição e a apresentação conseguiu manter o ritmo até o final.

Foi, para mim, um encerramento realmente à altura do evento.

Dennis fechou a noite com chave de ouro.

Uma noite que mostrou diferentes lados do festival

Quando olho para aquela programação como um todo, vejo uma noite que conseguiu representar diferentes momentos da música brasileira.

De um lado, Bruno & Marrone trazendo a tradição e a nostalgia.

Depois, Gustavo Mioto representando uma geração mais atual do sertanejo, ainda que sua apresentação não tenha me surpreendido como eu esperava.

Nattan trouxe uma proposta mais jovem, dançante e conectada com o cenário atual.

E Dennis encerrou tudo quebrando completamente o ritmo anterior e transformando o final da noite em uma grande festa.

Essa diversidade é uma das características que tornam o Jaguariúna Rodeo Festival interessante.

O evento não depende apenas de um estilo ou de uma geração de artistas. Ele consegue misturar públicos diferentes dentro da mesma noite.

A evolução do evento também acontece fora do palco

Outro ponto que considero importante é perceber que um grande festival não pode ser avaliado apenas pelos shows.

A experiência começa muito antes de o artista subir ao palco.

Ela passa pela chegada, organização, acesso, segurança, alimentação, circulação, atendimento, limpeza e estrutura.

É por isso que a melhoria nos banheiros me chamou tanta atenção.

Pode parecer algo simples, mas quem frequenta grandes eventos sabe como banheiros químicos podem se tornar um dos maiores problemas depois de algumas horas de festival.

Ter uma estrutura mais próxima de banheiros convencionais representa um avanço real em conforto e organização.

Esse tipo de investimento demonstra uma preocupação maior com quem está dentro do evento.

E, na minha visão, esse é o caminho correto.

Grandes festivais precisam buscar grandes atrações, obviamente, mas também precisam investir continuamente na experiência do público.

Minha impressão final

No balanço da noite de 28 de setembro, saí com uma percepção positiva do Jaguariúna Rodeo Festival 2024.

Nem todos os shows tiveram o mesmo impacto para mim — e acredito que isso seja completamente natural.

Bruno & Marrone trouxeram memória e tradição.

Gustavo Mioto, apesar de ser um artista consolidado, me deixou a sensação de um repertório já muito conhecido e pouco renovado.

Nattan entregou uma apresentação competente, embora questões relacionadas à sua imagem pública façam com que eu pessoalmente não o enxergue como uma atração de grande peso.

E Dennis conseguiu fazer exatamente aquilo que um artista de encerramento precisa fazer: renovar a energia do público e terminar a noite em alta.

Além disso, foi muito positivo perceber que o evento continua buscando melhorar sua estrutura.

No fim, festivais assim ficam na memória não apenas pelas músicas que ouvimos, mas pela experiência completa.

E aquela noite em Jaguariúna teve exatamente isso: momentos de nostalgia, críticas, surpresas, opiniões pessoais e, principalmente, a sensação de estar acompanhando um evento que continua fazendo parte da história do sertanejo e dos grandes festivais brasileiros.

Foto: João Paulo
Grupo Jornal Digital do Brasil de Comunicação – Circuito Paulista

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JOÃO ALVES

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