HADDAD CRITICA PEDÁGIOS FREE FLOW E PROMETE REVISAR CONTRATOS EM SÃO PAULO

CANDIDATO DO PT AO GOVERNO DO ESTADO DIZ QUE COBRANÇAS ESTÃO PESANDO SOBRE TRABALHADORES DO INTERIOR E DEFENDE REAVALIAÇÃO DE CONCESSÕES
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta quarta-feira (26) o modelo de cobrança de pedágio free flow implantado em rodovias paulistas e afirmou que, se eleito, pretende revisar contratos de concessão e avaliar a localização e os valores cobrados pelos pórticos.
A declaração ocorreu durante agenda de campanha em Ourinhos, no interior do estado. Parte dos compromissos previstos na cidade foi cancelada em razão das chuvas, e Haddad conversou com moradores, comerciantes e jornalistas.
Segundo o candidato, há casos em que a cobrança estaria penalizando moradores que utilizam diariamente as rodovias para trabalhar.
“Tem morador que paga para trabalhar”, afirmou Haddad, ao criticar a instalação de um pórtico de cobrança na região.
O candidato também classificou como excessivos alguns pontos de instalação e os valores cobrados. Segundo informações divulgadas durante a agenda, as tarifas mencionadas para a região variam de R$ 3,02 a R$ 8,67.
REVISÃO DOS CONTRATOS
Haddad afirmou que pretende fazer uma análise dos contratos relacionados aos pedágios e também revisar acordos envolvendo outros serviços públicos do estado.
Entre os contratos citados estão os da Sabesp e da CPTM.
A proposta apresentada pelo candidato é realizar uma avaliação das concessões e verificar se os modelos atualmente adotados atendem ao interesse dos usuários e às necessidades do estado.
A crítica aos pedágios já vem sendo utilizada por Haddad durante a campanha. O petista também defende maior transparência em contratos de concessão e na relação entre o poder público e empresas privadas.
FREE FLOW NO CENTRO DO DEBATE
O sistema free flow substitui as praças tradicionais de pedágio por pórticos equipados para identificar os veículos e realizar a cobrança sem a necessidade de parada.
Para os defensores do modelo, a tecnologia permite maior fluidez do tráfego e cobrança proporcional ao trecho utilizado.
Para críticos como Haddad, entretanto, a implantação precisa ser analisada considerando o impacto sobre moradores que utilizam determinadas rodovias com frequência, especialmente no interior.
Em Ourinhos, o candidato direcionou parte de seu discurso justamente para esse impacto sobre trabalhadores e moradores da região.
HADDAD TAMBÉM FALA EM ECONOMIA E AGRONEGÓCIO
Durante a passagem pelo interior, o candidato apresentou outras propostas para a região.
Haddad defendeu medidas voltadas ao agronegócio, incluindo a criação de mecanismos de seguro rural e ações relacionadas à segurança hídrica. Também afirmou que pretende utilizar inteligência artificial no cruzamento de dados para combater crimes como roubo de cargas, máquinas e insumos agrícolas.
Na área econômica, o candidato voltou a defender a reindustrialização de São Paulo e a transformação do Desenvolve SP em uma instituição de fomento com maior capacidade de oferecer crédito para investimentos.
DISPUTA PELO INTERIOR
A passagem de Haddad por Ourinhos ocorre dentro da estratégia de ampliar sua presença eleitoral no interior paulista.
Pesquisas recentes apontam diferença entre o desempenho do candidato na Grande São Paulo e fora da região metropolitana, tornando o eleitorado do interior um dos principais focos da campanha petista.
Depois de Ourinhos, a agenda de Haddad prevê compromissos em outras cidades do interior paulista.
A discussão sobre os pedágios, portanto, entra diretamente na disputa eleitoral de 2026 e coloca em debate uma questão que afeta diariamente milhares de motoristas:
quanto custa circular pelas rodovias paulistas e até que ponto o modelo de cobrança adotado atende ao interesse de quem utiliza as estradas para trabalhar, produzir e se deslocar?
A resposta deverá fazer parte do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
JORNALISTA
TV CIRCUITO PAULISTA | JORNAL DIGITAL REGIONAL

