BRASIL AVANÇA OU APENAS ADMINISTRA A POBREZA?
QUANDO MILHÕES DE BRASILEIROS AINDA PRECISAM DE PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA, O DISCURSO DE PROGRESSO PRECISA SER COBRADO COM NÚMEROS, EMPREGO E AUTONOMIA
O governo pode apresentar números positivos, comemorar indicadores econômicos e afirmar que o Brasil avançou. Mas existe uma pergunta que não pode ser ignorada: se o país está realmente prosperando, por que milhões de brasileiros ainda precisam depender de programas de transferência de renda para garantir necessidades básicas?
O Bolsa Família é uma política pública destinada a famílias de baixa renda, enquanto programas como o Gás do Povo buscam reduzir o peso de despesas essenciais para essa população.
Esses programas cumprem uma função social importante e não podem ser tratados como vergonha para quem precisa deles. A questão é outra: qual deve ser o objetivo final de uma política social?
Dar condições para que uma família atravesse um período de dificuldade ou mantê-la indefinidamente dependente de benefícios?
Essa é uma discussão que o Brasil precisa enfrentar com seriedade.
AUXÍLIO DEVE SER PONTE, NÃO DESTINO
O maior desafio de qualquer governo deveria ser transformar pobreza em oportunidade.
Isso significa criar empregos formais, melhorar a educação, ampliar a qualificação profissional, estimular o empreendedorismo, reduzir obstáculos para quem quer produzir e garantir condições para que famílias conquistem renda própria.
O benefício social pode aliviar a fome e impedir que uma família mergulhe em uma situação ainda mais grave. Mas nenhum programa de transferência de renda, sozinho, constrói uma nação próspera.
Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida precisa oferecer caminhos para que o cidadão possa viver do próprio trabalho.
OS NÚMEROS MOSTRAM UM QUADRO MAIS COMPLEXO
É preciso reconhecer também os dados positivos. Segundo o IBGE, entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas saíram da situação de pobreza, enquanto a extrema pobreza caiu para 3,5% da população, os menores índices da série histórica.
Portanto, afirmar simplesmente que “nada melhorou” seria ignorar os números.
Mas também seria errado concluir que o problema da pobreza foi resolvido.
O próprio fato de milhões de brasileiros continuarem enquadrados em políticas de proteção social demonstra que o país ainda possui um enorme desafio de inclusão econômica.
E é justamente aí que começa a cobrança.
O QUE O BRASIL PRECISA ENTREGAR AO CIDADÃO?
O brasileiro não quer apenas receber um benefício.
Ele quer emprego.
Quer salário capaz de pagar as contas.
Quer segurança para abrir uma empresa.
Quer educação de qualidade para os filhos.
Quer poder comprar comida sem depender de cartão de benefício.
Quer colocar gás no fogão sem precisar escolher entre cozinhar e pagar outra conta.
Quer dignidade.
E dignidade não pode ser medida apenas pelo valor depositado todos os meses em uma conta.
DEPENDÊNCIA NÃO PODE SER PROJETO DE PAÍS
É nesse ponto que o debate político precisa deixar de lado a torcida partidária.
Não importa se a política foi criada pela esquerda, pela direita ou pelo centro.
Se ela tira temporariamente uma família da miséria, é necessária. Se ela cria condições para essa família nunca mais precisar do benefício, é ainda melhor.
O verdadeiro sucesso de uma política social não deveria ser o crescimento permanente do número de dependentes.
Deveria ser a redução da dependência porque as pessoas conseguiram emprego, renda e autonomia.
O Brasil precisa parar de discutir apenas quanto o governo vai distribuir e começar a discutir com a mesma intensidade como o país vai produzir riqueza suficiente para que cada vez menos brasileiros precisem receber ajuda para sobreviver.
A PERGUNTA QUE FICA
O governo tem o direito de afirmar que houve avanços quando os indicadores mostram melhora.
Mas o cidadão também tem o direito de perguntar:
Quando o Brasil será capaz de transformar milhões de beneficiários em milhões de trabalhadores com renda suficiente para viver sem depender permanentemente do Estado?
Essa não é uma pergunta contra o pobre.
É justamente uma pergunta a favor do pobre.
Porque o objetivo final não deveria ser fazer o brasileiro depender eternamente do governo.
O objetivo deveria ser construir um país onde o brasileiro possa depender cada vez mais do próprio trabalho, da própria capacidade e das oportunidades que a economia oferece.
E se isso não acontecer, continuaremos discutindo benefícios enquanto o problema estrutural permanece.
Assistência pode salvar uma família hoje.
Emprego e oportunidade podem transformar uma geração inteira.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
JORNALISTA
TV CIRCUITO PAULISTA | JORNAL DIGITAL REGIONAL

