DÓLAR SOBE NO EXTERIOR E AÇÕES BRASILEIRAS CAEM APÓS RESULTADO ELEITORAL; AGRONEGÓCIO ENTRA NO RADAR
Oscilações registradas nos mercados internacionais após a reeleição de Lula aumentam a atenção sobre o câmbio, os juros e os custos de produção rural.
A confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25) foi seguida por fortes movimentos nos ativos brasileiros negociados no exterior. Durante as negociações internacionais, contratos futuros ligados ao real perderam valor diante do dólar, enquanto fundos que acompanham ações brasileiras registraram quedas expressivas.
Na noite de domingo, o contrato futuro do real negociado em Chicago recuou 9,14%, movimento que indicava uma cotação equivalente a aproximadamente R$ 5,51 por dólar. Em Tóquio, o fundo NEXT FUNDS Ibovespa Linked ETF caiu 11,59% durante a sessão noturna. Os números foram registrados antes da abertura regular dos mercados brasileiros e não devem ser confundidos com as cotações efetivas do dólar comercial e da Bolsa de Valores no país. Fonte: UOL Economia
O QUE EXPLICA A REAÇÃO DOS INVESTIDORES?
A movimentação está relacionada à revisão de posições financeiras após o resultado eleitoral. Parte dos investidores trabalhava com a possibilidade de uma mudança de governo e de orientação econômica. Com a confirmação da reeleição, esses agentes passaram a reavaliar suas expectativas.
Entre os fatores que influenciam o comportamento dos mercados estão a condução das contas públicas, o controle da dívida, as perspectivas para a inflação e a trajetória dos juros. A reação inicial, porém, não determina necessariamente o desempenho dos ativos nos próximos meses. As decisões econômicas do governo e as condições internacionais também terão influência. Fonte: Reuters
COMO O CÂMBIO PODE AFETAR O PRODUTOR RURAL?
A variação do dólar tem efeitos diferentes sobre o agronegócio. Para produtores e empresas exportadoras de soja, milho, café e carnes, uma moeda americana mais valorizada pode aumentar, em reais, o valor das receitas obtidas no exterior.
Esse possível benefício, entretanto, não é automático. Os preços internacionais das commodities, os contratos de venda, os custos logísticos e as despesas de produção influenciam o resultado financeiro de cada atividade.
Ao mesmo tempo, a alta do dólar pode pressionar os custos de insumos importados ou vinculados ao mercado internacional, como fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e determinados equipamentos. Para produtores que dependem desses produtos, o encarecimento pode reduzir as margens de lucro.
O impacto também varia conforme a cultura, a região, o nível de produtividade e o momento em que os insumos foram comprados e a produção foi comercializada.
JUROS E CRÉDITO TAMBÉM MERECEM ATENÇÃO
Outro ponto importante é o comportamento da inflação e da taxa básica de juros, a Selic. Se a pressão cambial contribuir para manter as expectativas de inflação elevadas, poderá haver menos espaço para reduções dos juros, dependendo da avaliação do Banco Central.
Para o campo, o custo do crédito influencia o financiamento da safra, a compra de máquinas, a aquisição de insumos e os investimentos em tecnologia. Por isso, as próximas sinalizações da política econômica serão acompanhadas pelo setor produtivo.
A Suno Research, por meio de seu economista-chefe, Gustavo Sung, apresentou projeções de crescimento econômico de aproximadamente 1,3% para 2027 e de dólar em torno de R$ 5,40 no período. São estimativas sujeitas a mudanças, e não cotações ou resultados garantidos. Fonte: UOL Economia
O QUE ACOMPANHAR NOS PRÓXIMOS DIAS?
A evolução do dólar comercial, o desempenho do Ibovespa, as taxas de juros futuros e os anúncios da equipe econômica ajudarão a dimensionar os efeitos da reação inicial dos mercados.
Para o agronegócio, será importante observar não apenas o câmbio, mas também as cotações internacionais das commodities, os preços dos fertilizantes e combustíveis e as condições de financiamento da próxima safra.
A questão central para o produtor rural é como a combinação entre receitas de exportação, custos de produção, crédito e preços internacionais afetará a rentabilidade de cada atividade.
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Conteúdo de Roberto Torrecilhas publicado originalmente no Circuito Paulista.

