SANTA CASA DE AMPARO: DURANTE A REFORMA, AS DOENÇAS TAMBÉM SERÃO SUSPENSAS?
REFORMA DO TELHADO DA SANTA CASA ANNA CINTRA LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE ATENDIMENTO, TRANSFERÊNCIAS E ESTRUTURA DE SAÚDE DURANTE O PERÍODO DE INTERDIÇÃO
Reformar é necessário. Garantir a segurança de um hospital também. Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida antes do início de qualquer obra: como ficará o atendimento à população durante o período de intervenção?
A previsão de realização da reforma do telhado da Santa Casa Anna Cintra, em Amparo, entre outubro e janeiro, coloca o município diante de um desafio que não pode ser tratado apenas como uma questão de engenharia.
Doenças não entram de férias. Acidentes não são suspensos. Emergências não escolhem horário e pacientes não podem simplesmente esperar quatro meses até que uma obra termine.
O ponto central, portanto, não é questionar a necessidade da reforma. É cobrar planejamento, transparência e uma alternativa segura para quem precisar de atendimento médico durante o período de intervenção.
Antes do início das obras, a população precisa saber quais hospitais receberão eventuais pacientes, como funcionará a regulação das transferências, quais municípios serão envolvidos e, principalmente, se haverá ambulâncias em condições adequadas para realizar os deslocamentos necessários.
Também é fundamental esclarecer a situação da frota utilizada no transporte de pacientes, a disponibilidade de motoristas, a manutenção dos veículos e a capacidade operacional do serviço durante um período que poderá aumentar a necessidade de transferências.
NÃO PODE HAVER IMPROVISO QUANDO O ASSUNTO É VIDA
Uma obra dessa dimensão exige planejamento antecipado.
Não basta fechar setores, reorganizar atendimentos e comunicar a população. É preciso apresentar um plano de contingência, com responsabilidades definidas, hospitais de referência, transporte adequado e atendimento ininterrupto para situações de urgência e emergência.
Se existem problemas na estrutura das ambulâncias, manutenção insuficiente ou dificuldades relacionadas à disponibilidade de veículos e motoristas, essas questões precisam ser solucionadas antes da interdição — e não depois que surgir uma emergência.
A população tem o direito de saber: onde será atendida, para onde será encaminhada e quanto tempo poderá levar para chegar a um hospital de referência?
A OBRA É TEMPORÁRIA. A NECESSIDADE DE ATENDIMENTO É PERMANENTE.
A reforma do telhado pode durar alguns meses. A necessidade de atendimento médico continuará existindo todos os dias.
Por isso, a discussão não deve ser transformada em uma disputa política sobre ser contra ou a favor da obra. A questão é muito maior: como garantir que nenhum morador fique desassistido enquanto a reforma acontece?
Gestão pública exige antecipação de problemas. Na saúde, essa responsabilidade é ainda maior.
Não se pode tratar a falta de planejamento como se fosse uma fatalidade inevitável. Se existe uma obra programada, existe também tempo para organizar uma estrutura alternativa, corrigir falhas e preparar os serviços que poderão ser sobrecarregados.
Porque, quando se trata de saúde pública, um atraso não representa apenas desconforto ou perda de tempo.
Pode representar uma diferença decisiva entre receber atendimento a tempo ou chegar tarde demais.
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