QUEM PODE SER CHAMADO DE “UNGIDO DE DEUS”? A QUESTÃO QUE A FALA DE JANJA LEVANTA

A declaração da primeira-dama Janja, que durante um ato político em Teresina chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “verdadeiro ungido de Deus”, coloca novamente a religião no centro do debate político brasileiro.
Mas a expressão utilizada merece uma reflexão que vai além da disputa eleitoral.
O que significa, segundo a própria Bíblia, ser escolhido ou ungido por Deus?
A Bíblia apresenta princípios e ensinamentos que fazem parte da fé cristã e que são interpretados por diferentes tradições religiosas. Entre eles estão ensinamentos sobre a vida, a sexualidade, o casamento, a fidelidade, a sobriedade e a conduta moral.
Por isso, quando uma autoridade política ou uma liderança pública afirma que determinado político é um “ungido de Deus”, é legítimo perguntar:
Seria possível utilizar essa expressão simplesmente como argumento político, ou ela deveria estar acompanhada de uma coerência com os princípios religiosos aos quais a expressão faz referência?
Há ainda outra questão importante: a Bíblia não apresenta uma lista política contemporânea de posições partidárias. Questões como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e uso de drogas envolvem interpretações teológicas, jurídicas e políticas distintas. Passagens bíblicas tradicionalmente utilizadas por determinados grupos cristãos para discutir sexualidade incluem Levítico 18:22 e Romanos 1:26-27; já a condenação da embriaguez aparece em diversos textos bíblicos.
Portanto, a discussão não deveria ser simplesmente quem é ou quem não é “ungido”.
A pergunta mais profunda é:
Pode um político ser apresentado como escolhido por Deus sem que se discuta também a coerência entre sua atuação pública e os princípios religiosos invocados para qualificá-lo dessa maneira?
A fé pertence à consciência de cada cidadão. A política, por sua vez, deve ser discutida com fatos, argumentos e responsabilidade.
DEUS NÃO É CABO ELEITORAL DE NENHUM POLÍTICO.
E talvez seja justamente por isso que a utilização de expressões religiosas em campanhas eleitorais mereça ser analisada com ainda mais cuidado.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE . TV CIRCUITO PAULISTA / JORNAL DIGITAL REGIONAL

