PORTAL CHINÊS VOLTA A CRITICAR O EXÉRCITO BRASILEIRO: “FALSO, FROUXO E VAZIO”

Uma publicação do portal chinês Sohu, que ganhou repercussão nas redes sociais, fez duras críticas às Forças Armadas brasileiras e classificou o Exército do Brasil, em termos extremamente depreciativos, como “o mais falso, frouxo e vazio do mundo”.
O texto, publicado originalmente em 2023, questionava a estrutura dos gastos militares brasileiros e sustentava que uma parcela muito elevada do orçamento seria destinada a salários, aposentadorias e pensões, deixando menos recursos para equipamentos, tecnologia e modernização. Essa proporção de 80%, entretanto, deve ser atribuída ao artigo do Sohu e não tratada como dado oficial sem uma fonte orçamentária independente.
A crítica chinesa também questionava a capacidade brasileira de modernização militar e apontava a ausência de uma política de potência militar como uma das razões para o país não apresentar, segundo a publicação, maior investimento estratégico.
MAS EXISTE UM CONTRAPONTO IMPORTANTE.
A avaliação do Sohu não representa uma posição oficial do governo chinês. Trata-se de um conteúdo publicado em uma plataforma de mídia chinesa e repercutido posteriormente por outros veículos.
Além disso, rankings internacionais apresentam uma fotografia bastante diferente. Na edição 2026 do Global Firepower, o Brasil aparece em 11º lugar entre 145 países, à frente de Alemanha, Indonésia, Paquistão e Israel no índice geral de capacidade militar convencional utilizado pelo levantamento.
Isso não significa que as Forças Armadas brasileiras estejam livres de problemas ou que a crítica sobre orçamento e modernização não possa ser discutida.
A QUESTÃO CENTRAL É OUTRA: QUANTO O BRASIL ESTÁ INVESTINDO EM TECNOLOGIA, EQUIPAMENTOS E CAPACIDADE OPERACIONAL PARA GARANTIR UMA FORÇA MILITAR COMPATÍVEL COM O TAMANHO E A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DO PAÍS?
O Brasil possui território continental, uma extensa fronteira terrestre, grande litoral e uma das maiores economias do mundo. Um estudo de 2026 da Heritage Foundation também descreve o país como detentor da base industrial de defesa mais desenvolvida da América Latina, destacando projetos brasileiros nas áreas naval, terrestre e aeroespacial.
Portanto, a declaração atribuída ao Sohu deve ser tratada pelo que é: uma crítica contundente publicada na China, e não uma conclusão consensual sobre a capacidade militar brasileira.
ENTRE A CRÍTICA CHINESA E OS RANKINGS INTERNACIONAIS, EXISTE UMA DISCUSSÃO QUE O BRASIL PRECISA ENFRENTAR: MODERNIZAÇÃO, TECNOLOGIA, ORÇAMENTO E PREPARO MILITAR.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE — JORNAL DIGITAL REGIONAL.

