PRESOS COM CINCO REFEIÇÕES POR DIA ENQUANTO MILHÕES DE BRASILEIROS AINDA ENFRENTAM A FOME
A PERGUNTA É DIRETA: COMO O ESTADO CONSEGUE GARANTIR ALIMENTAÇÃO REGULAR A QUEM ESTÁ PRESO ENQUANTO FAMÍLIAS DE TRABALHADORES AINDA LUTAM PARA COLOCAR COMIDA NA MESA?
O debate sobre a fome no Brasil ganhou novamente força diante de uma contradição que revolta parte da população: o preso tem alimentação garantida pelo Estado, enquanto milhões de brasileiros que trabalham, pagam impostos e sustentam suas famílias ainda enfrentam dificuldades para garantir o próprio alimento.
É justamente essa comparação que está no centro da crítica ao governo Lula.
Como pode um trabalhador brasileiro chegar ao fim do mês sem saber o que vai colocar na mesa, enquanto uma pessoa privada de liberdade recebe alimentação custeada pelo poder público?
No sistema prisional federal, a Secretaria Nacional de Políticas Penais informa que são fornecidas seis refeições diariamente. No sistema prisional brasileiro em geral, levantamento da própria SENAPPEN aponta uma realidade diferente entre as unidades, mas a alimentação dos presos é uma obrigação do Estado.
Do outro lado dessa equação estão milhões de brasileiros que continuam enfrentando algum grau de insegurança alimentar. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 18,9 milhões de domicílios brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar, enquanto aproximadamente 6,5 milhões de pessoas estavam em situação de insegurança alimentar grave.
É nesse cenário que a promessa de Lula de “acabar com a fome” volta a ser questionada.
A promessa não começou agora. O combate à fome é uma das principais bandeiras políticas de Lula há décadas e voltou a ocupar posição central em seus governos. O próprio presidente reafirmou internacionalmente o compromisso de combater a fome e a pobreza.
A pergunta feita por quem critica o governo é simples e incômoda:
SE O ESTADO CONSEGUE GARANTIR COMIDA TODOS OS DIAS PARA QUEM ESTÁ PRESO, POR QUE AINDA EXISTEM FAMÍLIAS DE TRABALHADORES QUE NÃO CONSEGUEM GARANTIR TRÊS REFEIÇÕES POR DIA?
Não se trata de defender que presos passem fome. Alimentação é uma obrigação do Estado dentro do sistema prisional. A discussão é outra: a prioridade das políticas públicas e a capacidade do governo de fazer com que o brasileiro que trabalha também tenha comida suficiente dentro de casa.
O trabalhador quer dignidade. Quer salário que permita comprar comida. Quer seus filhos alimentados. Quer saber para onde vão os impostos que paga.
E é justamente por isso que a promessa de acabar com a fome continua sendo cobrada.
SENHOR LULA, O BRASILEIRO NÃO QUER APENAS OUVIR QUE A FOME VAI ACABAR. ELE QUER ABRIR A GELADEIRA E ENCONTRAR COMIDA.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
Jornalista Policial — Circuito das Águas Paulista

