MAIS UMA GIGANTE REDUZ SUA PRESENÇA NO BRASIL: FEDEx DEIXA ENTREGAS DOMÉSTICAS E ACENDE UM ALERTA
QUANDO UMA MULTINACIONAL MUDA SUA ESTRATÉGIA, O BRASIL PRECISA PERGUNTAR: O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O AMBIENTE DE NEGÓCIOS DO PAÍS?
A notícia deveria preocupar — e muito.
A FedEx, uma das maiores empresas de logística do planeta, decidiu encerrar as entregas domésticas dentro do Brasil e concentrar suas operações brasileiras em transporte internacional e serviços de supply chain. A decisão foi anunciada em janeiro de 2026.
É importante deixar claro: a FedEx não está deixando completamente o Brasil. A companhia continua operando no país e, inclusive, anunciou em junho a ampliação de sua rede rodoviária internacional, com uma nova rota ligando o Brasil ao Paraguai.
Mas isso não diminui a gravidade do sinal.
Uma gigante global decidiu reduzir justamente sua atuação no mercado doméstico brasileiro.
E isso precisa ser discutido.
O BRASIL ESTÁ FICANDO CARO DEMAIS PARA PRODUZIR, INVESTIR E OPERAR?
Quando empresas de grande porte reduzem operações, mudam estratégias ou deixam determinadas áreas do mercado, não podemos simplesmente olhar para o fato como uma decisão empresarial isolada.
É preciso perguntar:
O que está tornando o Brasil menos atraente para determinadas operações?
É a carga tributária?
É a burocracia?
É o custo operacional?
É a insegurança jurídica?
É a dificuldade de logística?
São os custos trabalhistas?
São as regras que mudam constantemente?
É o custo do combustível?
É o tamanho da máquina pública?
Ou é a combinação de tudo isso?
Essas perguntas precisam ser feitas.
Porque enquanto governos comemoram números e anunciam programas, quem está na ponta da economia precisa enfrentar uma realidade muito mais dura.
QUEM PAGA ESSA CONTA?
No final, a conta não fica apenas na mesa da multinacional.
Ela chega ao consumidor.
Chega ao pequeno empresário.
Chega ao comerciante.
Chega ao produtor.
Chega ao trabalhador.
Menos competição em determinados segmentos pode significar menos opções, custos maiores e menor dinamismo econômico.
E existe outra questão que não pode ser ignorada:
empresas não investem apenas por patriotismo.
Empresas investem onde encontram condições para ganhar dinheiro, crescer e ter previsibilidade.
Se o ambiente deixa de ser competitivo, o capital procura alternativas.
É simples assim.
NÃO É SOBRE FEDEx. É SOBRE O BRASIL.
A discussão não deveria ser simplesmente: “A FedEx saiu do Brasil”.
Porque isso não corresponde exatamente aos fatos.
A discussão correta é muito maior:
Por que uma empresa desse tamanho decidiu abandonar as entregas domésticas e concentrar sua presença brasileira em outras áreas?
Essa é a pergunta que merece respostas.
E o Brasil precisa ter maturidade para fazê-la sem torcida política.
Não importa se o governo é de direita, esquerda ou centro.
Empresa não vota. Capital não tem ideologia. Investimento procura segurança, eficiência, mercado e previsibilidade.
Se o Brasil quiser gerar empregos, aumentar investimentos e fortalecer sua economia, precisa criar um ambiente em que empresas tenham vontade de permanecer, crescer e investir.
Porque quando grandes empresas reduzem operações, o alerta está aceso.
E ignorar o alerta pode custar caro.
O BRASIL NÃO PODE SE ACOSTUMAR A PERDER
Não podemos aceitar como normal a redução da presença de grandes empresas no país.
Também não podemos transformar cada saída ou redução de operação em propaganda política.
Precisamos investigar, comparar números, ouvir empresários, trabalhadores, especialistas e autoridades e descobrir o que está por trás dessas decisões.
O Brasil tem mercado, população, recursos naturais, capacidade produtiva e um enorme potencial.
O que falta é transformar esse potencial em um ambiente econômico capaz de atrair e manter investimentos.
Porque uma coisa é certa:
UM PAÍS QUE TORNA DIFÍCIL INVESTIR, PRODUZIR E EMPREENDER ACABA PAGANDO A CONTA.
E quem paga?
Como sempre, o povo.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
JORNALISTA — COMUNICAÇÃO A SERVIÇO DA VERDADE

