Brasília ainda olha para o mapa errado

Brasília ainda olha para o mapa errado

O governo federal continua planejando o Brasil como se a riqueza estivesse concentrada nas grandes capitais. O problema é que a economia brasileira mudou, mas Brasília ainda não percebeu isso.

Hoje, praticamente metade do Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo é produzida no interior do estado. É ali que estão alguns dos maiores polos de inovação, indústria, agronegócio e pesquisa da América Latina. São cidades que geram riqueza, criam empregos, atraem investimentos e ajudam a sustentar a economia nacional.

Mesmo assim, o governo federal ainda não construiu uma política nacional para transformar esse potencial em uma estratégia permanente de desenvolvimento.

O problema não é a falta de potencial. Também não é a ausência de programas de investimento. O problema é que obras, por mais importantes que sejam, não substituem uma política de Estado.

Infraestrutura não pode ser vista apenas como um conjunto de empreendimentos. Ela é um instrumento de competitividade. Cada rodovia modernizada, cada ferrovia ampliada, cada aeroporto regional fortalecido, cada cidade conectada por redes digitais de alta capacidade reduz custos, atrai investimentos, aumenta a produtividade e gera empregos de maior qualidade. Essa é a lógica adotada pelas economias que hoje lideram a inovação e a indústria mundial.

No Brasil, porém, ainda predominam ações fragmentadas. Investe-se em uma obra, anuncia-se outra, inaugura-se uma terceira, mas falta uma estratégia capaz de integrar infraestrutura, logística, inovação, política industrial, universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento regional.

Essa ausência de planejamento cobra um preço alto.

Empresas do interior continuam enfrentando gargalos logísticos que encarecem a produção e reduzem a competitividade das exportações. Universidades produzem conhecimento de excelência sem uma integração consistente com políticas nacionais de inovação. Municípios que já são motores da economia brasileira disputam recursos de forma isolada, quando deveriam fazer parte de um projeto coordenado de desenvolvimento.

Enquanto isso, países que competem conosco entendem que crescimento econômico não acontece por acaso. Investem em corredores logísticos, fortalecem cidades médias, aproximam universidades da indústria e transformam infraestrutura em política permanente de desenvolvimento.

O Brasil continua tratando o interior como beneficiário de investimentos. Deveria tratá-lo como protagonista da estratégia nacional de crescimento.

Essa mudança de visão é urgente.

As cidades médias brasileiras concentram parcela crescente da produção industrial, do agronegócio, da inovação tecnológica e da geração de empregos qualificados. Ignorar essa realidade significa limitar o potencial competitivo do país.

O interior paulista não pede privilégios. Pede planejamento. Pede uma política nacional que reconheça seu papel na economia brasileira e transforme suas vocações em prioridade para o desenvolvimento do país.

O governo federal precisa compreender que investir no interior não é atender uma demanda regional. É fortalecer a capacidade de crescimento do Brasil.

Quem ainda acredita que o futuro da economia brasileira será decidido apenas nas capitais está olhando para o mapa errado.

Vinicius Marchese, candidato a deputado federal por São Paulo, é engenheiro de Telecomunicações, presidente licenciado do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e doutorando em Cidades Inteligentes e Sustentáveis.

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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