PCC e Comando Vermelho Entram no Radar dos Estados Unidos e Acendem Alerta no Governo Brasileiro
POR ROBERTO TORRECILHAS
As duas maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — passaram a ocupar o centro de uma delicada discussão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O tema entrou no radar das conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, após o governo dos EUA avançar na proposta de classificar as organizações criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras.
A possível decisão tem gerado preocupação dentro do governo brasileiro. Um encontro entre Lula e Trump estava inicialmente previsto para ocorrer ainda no mês de março, porém até o momento não há uma data confirmada. O desencontro de agendas e o agravamento do cenário internacional, com o início da guerra envolvendo o Irã, acabaram dificultando a definição da reunião entre os dois líderes.
Desde o ano passado, a administração norte-americana avalia incluir o PCC e o Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas internacionais, como parte de uma estratégia para intensificar o combate ao narcotráfico e às redes do crime organizado que atuam em diferentes países.
Nos últimos dias, a proposta ganhou força e pode ser oficializada dentro de aproximadamente duas semanas. Caso isso ocorra, o tema tende a se tornar um dos principais pontos de tensão nas futuras conversas diplomáticas entre os governos brasileiro e norte-americano.
O governo brasileiro, no entanto, demonstra resistência à iniciativa. Um dos principais argumentos é que, de acordo com a legislação brasileira, organizações criminosas como PCC e CV não se enquadram juridicamente como grupos terroristas. A lei nacional define o terrorismo como atos motivados por razões religiosas, ideológicas, políticas ou por preconceito e xenofobia.
Especialistas em relações internacionais também analisam a questão com cautela. Para o professor Manuel Furriela, reitor da Universidade Católica de Brasília, a classificação internacional de grupos terroristas normalmente envolve organizações que possuem objetivos políticos ou tentativas de tomada de poder para promover mudanças estruturais em um país.
Segundo ele, organizações criminosas tradicionais atuam principalmente em busca de ganhos financeiros por meio de atividades ilegais, o que difere de grupos que possuem motivações políticas ou ideológicas.
