QUANDO O PETRÓLEO VALE MAIS QUE A LIBERDADE .

QUANDO O PETRÓLEO VALE MAIS QUE A LIBERDADE .

Em recente discurso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou por mais de cinco vezes a palavra “petróleo”. O que chamou atenção, no entanto, não foi apenas a insistência no tema energético, mas a ausência total do termo “democracia”. Nenhuma vez. Nenhuma menção. E isso diz muito sobre as prioridades quando o assunto é Venezuela.

Sabemos, sem rodeios, que o regime comandado por Nicolás Maduro é uma ditadura. Um governo sustentado pela repressão, pela perseguição política, por prisões arbitrárias, censura, crise humanitária e pela destruição completa das instituições. Um regime que expulsou milhões de cidadãos do próprio país, mergulhou a população na miséria e transformou a Venezuela em um dos maiores dramas humanitários da América Latina.

Maduro merece, sim, julgamento duro e responsabilização internacional por seus crimes. Isso não está em debate. O problema é que, apesar de discursos inflamados, sanções anunciadas e declarações públicas, nada mudou até agora. O regime continua de pé. O poder continua concentrado. A repressão continua ativa. E quem sofre, como sempre, é o povo venezuelano.

Quando o petróleo entra na pauta, a democracia desaparece. O discurso internacional se molda aos interesses econômicos. Condena-se o ditador em público, mas negocia-se em silêncio. Critica-se o regime, mas preserva-se aquilo que é conveniente. A verdade é dura: a ditadura venezuelana sobrevive porque é útil para interesses externos , como a Rússia e a China.

Enquanto líderes globais discutem barris, contratos e reservas, milhões de venezuelanos enfrentam fome, falta de medicamentos, desemprego, violência e exílio forçado. A vida humana segue em segundo plano. A democracia vira palavra descartável. E o sofrimento passa a ser tratado como um detalhe colateral da geopolítica.

Ou os Estados Unidos e a comunidade internacional fazem o serviço completo, de forma clara, firme e coerente, ou o povo venezuelano continuará condenado a esse ciclo de dor. Não existe ditadura derrubada com meia sanção, com discurso vazio ou com pressão seletiva. Regimes autoritários não caem com conveniência diplomática.

Antes de falar em petróleo, é preciso olhar para o povo venezuelano. Antes de negociar recursos, é preciso garantir liberdade, dignidade e direitos humanos. Democracia não pode ser moeda de troca. Enquanto o mundo insistir em contar barris em vez de contar vidas, a Venezuela seguirá refém de um regime bandido que só se mantém porque é tolerado.

A escolha está feita há anos — e ela tem sido errada. Ou se enfrenta a ditadura de verdade, ou o sofrimento continuará. A história não perdoa a omissão. E o povo venezuelano já pagou caro demais.

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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