Quando a lei não vale para todos, o país perde a credibilidade

Um país onde um ministro de Estado é associado à existência de um cassino funcionando dentro de um hotel, prática tipificada como crime no Brasil, não pode exigir respeito às leis nem cobrar confiança de sua população. A mensagem que se transmite é clara: há dois pesos e duas medidas.
Enquanto cidadãos comuns são punidos, investigados e presos por infrações muito menores, integrantes do alto escalão parecem operar em uma zona de blindagem política e institucional. Isso não é apenas uma distorção jurídica — é a ruptura do princípio básico do Estado de Direito: a igualdade perante a lei.
Não se trata de ideologia, direita ou esquerda. Trata-se de legalidade. Se o jogo é proibido, não existe cargo, toga ou influência que transforme o ilícito em aceitável. A omissão diante de fatos graves mina a credibilidade das instituições, enfraquece a Justiça e aprofunda a sensação de impunidade.
Países sérios não relativizam crimes conforme o sobrenome, o cargo ou o alinhamento político do investigado. Quando isso acontece, o resultado é previsível: descrédito internacional, instabilidade interna e um sistema que deixa de servir ao povo para proteger poderosos.
Diante desse cenário, cresce o clamor por responsabilização, apuração rigorosa e, quando cabível, o uso dos instrumentos previstos na Constituição. Impeachment não é vingança política — é mecanismo legal para restaurar a confiança pública quando limites são ultrapassados.
Sem lei para todos, não há democracia.
Sem responsabilização, não há Justiça.
E sem Justiça, o país não pode ser levado a sério.

