A farsa do “GPS brasileiro”

Vender ao povo brasileiro a ideia de um “GPS nacional” é mais do que desinformação: é má-fé política. Trata-se de um discurso fantasioso que ignora completamente a realidade tecnológica, financeira e estratégica necessária para sustentar um sistema global de navegação por satélite.
Um GPS próprio não nasce de decreto, discurso ou coletiva de imprensa. Nasce de décadas de investimento pesado, domínio de tecnologias sensíveis, indústria aeroespacial madura e, principalmente, capacidade contínua de lançamento e reposição orbital. Para funcionar de forma minimamente confiável, um sistema independente exige ao menos 24 satélites em órbita, distribuídos em planos específicos, operando de forma sincronizada e com redundância total. Isso sem contar os satélites de reserva, os centros de controle, as estações de monitoramento e a segurança cibernética do sistema.
Hoje, apenas quatro blocos geopolíticos no planeta conseguiram alcançar esse nível: Estados Unidos, Rússia, União Europeia e China. Todos levaram mais de 20 anos para chegar a um sistema plenamente operacional, com investimentos que ultrapassam dezenas de bilhões de dólares. Imaginar que o Brasil, sem uma base industrial espacial robusta e com histórico de descontinuidade em seus próprios programas estratégicos, faria isso em poucos anos é vender ilusão.
O discurso do “GPS brasileiro” não passa de propaganda vazia, criada para inflar narrativas de soberania enquanto se foge do debate sério: investimento contínuo em ciência, fortalecimento do setor aeroespacial, parcerias tecnológicas reais e planejamento de Estado — não de governo.
Soberania tecnológica não se constrói com slogans. Constrói-se com verdade, tempo, dinheiro e competência. Qualquer coisa fora disso é enganação.
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ROBERTÃO CHAPA QUENTE.

