REVOLTA DE CAMINHONEIRO APÓS CINCO DIAS DE ESPERA EXPÕE CAOS LOGÍSTICO EM CD NA BAHIA
Um episódio de revolta envolvendo um caminhoneiro de São Bernardo do Campo (SP) ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre as condições enfrentadas pela categoria no Brasil. O motorista passou cinco dias aguardando para descarregar 66 geladeiras em um centro de distribuição localizado em Camaçari, na Bahia, e, diante da demora e das condições precárias, acabou arremessando parte da carga de cima do caminhão.
A cena foi gravada em vídeo e circula amplamente nas redes sociais. Nas imagens, o condutor relata que chegou ao local na segunda-feira, conforme agendamento prévio, mas não foi atendido dentro do prazo combinado. Após mais de 96 horas de espera, sem informações claras ou previsão de descarga, o esgotamento físico e emocional resultou na atitude extrema.
Segundo o motorista, que prestava serviço para uma transportadora de Santa Catarina, a responsabilidade pelo transtorno recai sobre a gestão do centro de distribuição, e não sobre a empresa contratante do frete. O que seria uma entrega de rotina acabou se transformando em um caso policial, com acionamento da Polícia Militar e registro de boletim de ocorrência.
Condições precárias motivaram a revolta
De acordo com o relato do caminhoneiro, a revolta não foi causada apenas pela demora, mas principalmente pelas condições inadequadas oferecidas aos motoristas que aguardavam no pátio do CD. Entre as denúncias estão:
- Banheiros em condições insalubres, sem iluminação adequada, obrigando os próprios motoristas a comprarem lâmpadas;
- Ralos entupidos e alagamento, forçando o uso de paletes de madeira para caminhar;
- Chuveiros com água fria, sem conforto mínimo;
- Presença de animais, como sapos, dividindo o espaço com os usuários.
“A revolta maior foi o fato de não haver estrutura nenhuma para os motoristas. Tivemos que comprar lâmpadas para usar o banheiro e andar sobre paletes”, afirmou o condutor.
O motorista reconheceu às autoridades que errou ao danificar a mercadoria, mas ressaltou que a situação de abandono e descaso tornou a permanência no local insustentável.
Categoria cobra respeito
O caso escancara uma realidade antiga e recorrente: a falta de respeito e de condições dignas aos caminhoneiros, profissionais essenciais para o abastecimento do país. A demora excessiva, somada à ausência de estrutura básica, levanta questionamentos sobre fiscalização, responsabilidade das empresas e o cumprimento das normas trabalhistas e logísticas.
O vídeo segue repercutindo e gerando indignação, não apenas pelo prejuízo material, mas pelo retrato do descaso enfrentado diariamente por quem mantém o Brasil em movimento.
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