O QUE VALE MAIS PARA O SETOR FARMACÊUTICO: A CURA OU A DOENÇA?

O QUE VALE MAIS PARA O SETOR FARMACÊUTICO: A CURA OU A DOENÇA?

A pergunta é direta, incômoda e necessária: o que realmente tem mais valor para parte do empresariado do ramo farmacêutico — a cura das doenças ou a manutenção delas? Em um sistema onde o lucro cresce na mesma proporção do consumo contínuo de medicamentos, essa reflexão deixa de ser teoria e passa a ser denúncia social.

Não se trata de atacar a ciência, nem de desmerecer pesquisadores sérios, médicos comprometidos ou medicamentos que salvam vidas diariamente. A denúncia recai sobre o modelo de negócio que, em muitos casos, parece prosperar mais com pacientes crônicos do que com pessoas efetivamente curadas.

Doenças controladas geram receitas constantes. Tratamentos longos, uso contínuo de remédios, reajustes frequentes de preços e dependência do sistema criam um ciclo financeiro altamente lucrativo. Já a cura definitiva, em muitos casos, encerra o fluxo de lucro. E é exatamente aí que mora a inquietação.

Por que tantas pesquisas promissoras desaparecem? Por que terapias preventivas recebem menos investimento do que medicamentos de uso permanente? Por que a indústria investe bilhões em marketing e muito menos em soluções acessíveis que poderiam reduzir drasticamente a necessidade de consumo contínuo?

Outro ponto alarmante é o preço dos medicamentos. Em muitos casos, remédios essenciais são inacessíveis para grande parte da população. O resultado é cruel: quem pode pagar vive, quem não pode sofre ou morre. A saúde, que deveria ser direito básico, transforma-se em produto de luxo.

Também chama atenção a forte influência econômica do setor farmacêutico sobre políticas públicas, campanhas de saúde e até diretrizes de tratamento. Quando o lucro entra na equação, o risco é que o interesse do paciente fique em segundo plano.

A população não é ingênua. Cada vez mais pessoas questionam se o sistema está estruturado para promover saúde ou para administrar doenças. A sensação é de que se investe mais em remediar do que em prevenir, mais em tratar sintomas do que em eliminar causas.

Essa denúncia não acusa indivíduos, mas expõe um sistema que precisa ser debatido com seriedade, transparência e coragem. Saúde não pode ser tratada apenas como mercado. Vida não pode ser reduzida a planilha de lucros.

Enquanto essa lógica não for enfrentada, a pergunta continuará ecoando: quem realmente se beneficia quando a doença nunca acaba?

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ROBERTÃO CHAPA QUENTE.

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Robertão Chapa Quente

• Diretor do Jornal Digital do Brasil • TV DIGITAL • Apresentador do Programa Chapa Quente

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