Crônica do Robertão : O Descrédito do STF e o Brasil que Espera Respostas


O Brasil, esse país vasto e diverso, vive, há tempos, um dilema silencioso, porém estridente: a crescente desconfiança nas instituições que deveriam ser os pilares da nossa democracia. O Supremo Tribunal Federal (STF), que deveria ser o guardião da Constituição e da justiça, tem se tornado, aos olhos de muitos, um símbolo do desgoverno e da ineficiência, afastando-se cada vez mais da confiança popular.
A crise de credibilidade do STF não é de agora. Ela vem se arrastando há anos, alimentada por decisões que parecem mais políticas do que jurídicas, e por um comportamento que, em muitos momentos, parece desafiar a vontade do povo e a lógica do bom senso. Não se trata de um ataque sem fundamento, mas de uma reação natural da sociedade, que se sente cada vez mais desconectada das decisões que, em última instância, afetam a sua vida cotidiana.
É curioso como, ao longo da história do Brasil, o STF sempre foi visto como uma instituição que transcende as vontades momentâneas e partidárias. Quando sua missão é garantir que a Constituição seja cumprida, que os direitos fundamentais sejam preservados, o STF ganha a confiança do povo. Mas, quando suas decisões parecem ser mais voltadas para interesses próprios, ou de grupos específicos, essa confiança começa a se dissolver como açúcar na água. E o que se vê são cidadãos perplexos, perguntando: “Como pode o Supremo se distanciar tanto do povo, da realidade?”
A imagem do STF se deteriora a cada decisão que parece desconsiderar o clamor das ruas, que ignora os apelos de uma sociedade cansada de tanta instabilidade. E o pior: essa falta de entendimento entre o STF e a população não é algo novo. Ela se arrasta por décadas, mas atinge um novo patamar quando o STF parece se afastar de sua função primordial de ser o guardião da Constituição para se tornar um ator político de primeira grandeza, manipulando as regras do jogo para se beneficiar ou para agradar os ventos de conveniência.
As pessoas não querem apenas ouvir sobre “técnica jurídica” ou sobre a “independência do Judiciário”. Elas querem ver justiça sendo feita, não importa quem seja o réu ou o acusado. Elas querem ver decisões que, de fato, atendam ao interesse público, e não a interesses escusos ou a uma agenda política que não é delas. O povo brasileiro tem fome de justiça verdadeira, de respostas claras e de ações que realmente façam a diferença na vida de quem mais precisa.
Hoje, o STF parece ser visto por muitos como uma instituição que perdeu seu compromisso com a ética e a moralidade pública. Ele se tornou uma espécie de “universo à parte”, onde as regras parecem ser definidas conforme o interesse dos que lá estão. E a verdade é que, nesse cenário, a confiança vai se esvaindo, e o descrédito cresce. A democracia, que deveria ser protegida por esse Tribunal, se vê fragilizada quando as instituições que deveriam zelar por ela perdem sua legitimidade.
Não é uma questão de ser contra o STF ou de querer enfraquecer o Judiciário. Pelo contrário, a ideia é justamente fortalecer o sistema judiciário, restaurando sua independência e credibilidade. O Brasil precisa de um STF que, em vez de agir como um ator político, seja a voz da razão e da justiça, que represente a vontade do povo e que, acima de tudo, seja fiel à Constituição e aos valores que a sustentam.
O Brasil não precisa de mais desconfiança; precisa de mais confiança. E para isso, as instituições, começando pelo STF, precisam reconquistar a fé da população, mostrando que suas decisões são tomadas com base na Constituição e não nas conveniências do momento. Só assim, quem sabe, o povo voltará a olhar para o Supremo como a última instância da justiça, e não como um reflexo de um país perdido em sua própria busca por respostas.