Opinião – Precisamos proteger toda a vida do planeta, não apenas a humana

Opinião – Precisamos proteger toda a vida do planeta, não apenas a humana


Após uma onda de adoções no início da pandemia, o abandono de animais domésticos no Brasil disparou 70%, de acordo com levantamento da Ampara Animal. São milhares de cães e gatos, principalmente, que acabaram nas ruas, seja por dificuldades financeiras ou arrependimento dos tutores.

Muitos dos bichos abandonados também são vítimas de maus-tratos ou acidentes, como atropelamentos, envenenamentos e atos sádicos. Para conscientizar a população a respeito dessa triste realidade, criei o projeto do Dezembro Verde, que virou lei no Estado de São Paulo.

A data é uma marca da causa animal, e agora ganha força com o apoio do Poder Público. Em um mês inteiro de ações educativas, como o que acontece no Outubro Rosa, vamos estimular a posse responsável, apoiar mutirões de castração, feiras de adoção e o trabalho de ONGs e protetores de SP.

Um bichinho de estimação é apenas uma parte de nossa vida, mas podemos participar da vida inteira dele. Deixá-lo pelo meio do caminho é um ato de extrema crueldade. Uma vida não é um brinquedo que podemos jogar fora ao cansar.

Abandonar e maltratar animais é crime previsto na legislação federal, que pode dar até cinco anos de reclusão. Qualquer um pode denunciar.

Neste momento em que as necessidades humanas foram potencializadas, em que lutamos pela nossa própria sobrevivência, não podemos virar as costas para as espécies com as quais dividimos o planeta. Essa é uma das mais importantes lições da Covid-19: precisamos cuidar melhor da Terra e respeitar os animais e a natureza. Nenhum ser é inferior ao outro; todos estamos conectados.

“Não existe direito à vida em nenhuma sociedade hoje em dia. Criamos animais para a matança; destruímos florestas; poluímos rios e lagos até que os peixes não possam mais viver lá; matamos veados e alces por esporte, leopardos por suas peles e baleias para fabricar fertilizantes; encurralamos golfinhos, ofegantes e se contorcendo, em grandes redes de pesca; matamos filhotes de focas a pauladas; provocamos a extinção de uma espécie a cada dia. Todos esses animais e vegetais estão tão vivos como nós. O que é (alegadamente) protegido não é a vida, mas sim a vida humana”.

Essas palavras foram ditas nos anos 90, pelo cientista Carl Sagan, e seguem mais atuais do que nunca. Bichos sentem dor, fome, frio e sofrem, assim como eu e você.

Como cerca de metade dos lares brasileiros têm pelo menos um pet, configurando famílias multiespécie, já é dever de nossos governos desenvolver políticas públicas estruturadas, focadas na causa animal. Claro que isso não significa deixar de lado a humanidade e todas as suas mazelas ” uma luta não exclui a outra.

O direito à vida passa também pela proteção das pessoas mais invisíveis, que diariamente morrem de fome, desidratação, doenças e negligência ” males que poderiam ser evitados pela atuação do Poder Público e empatia das sociedades.

Na Alesp, temos batalhado diariamente por uma vida mais digna. Na semana passada, meu PL 146/2020, em parceria com a deputada Leci Brandão e o deputado Dr. Jorge do Carmo, foi aprovado. Ele impede despejos, remoções e reintegrações de posse, garantindo que as pessoas não percam o teto durante a pandemia.

Também fiz indicações pela vacinação de trabalhadores que se arriscam diariamente, como os da educação, da segurança, da limpeza pública e dos hospitais, do Metrô e da CPTM. Algumas já foram atendidas pelo governador.

No ano mais desafiador de nossa história, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a concretização dos direitos, seja dos homens ou dos animais. Mas ninguém solta a mão ” nem a pata ” de ninguém.

*Maurici é deputado estadual pelo PT

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