Polícia ouve testemunhas e vai pedir avaliação sobre sanidade mental de homem que humilhou motoboy

Vizinhos de agressor e uma guarda civil municipal prestaram depoimento nesta terça-feira na delegacia. Caso ganhou repercussão no Brasil após vídeo do ato racista viralizar.

A Polícia Civil colheu, nesta terça-feira (11), depoimentos de vizinhos do homem que humilhou o motoboy Matheus Pires Barbosa em um condomínio de casas em Valinhos (SP) . Dentre as pessoas ouvidas está o morador que gravou o vídeo que viralizou e gerou a repercussão nacional do caso, ocorrido em 31 de julho.

O delegado responsável pela investigação, Luís Henrique Apocalypse Joia, informou que, após os depoimentos, vai juntar as provas e pedir à Justiça perícia sobre a sanidade mental do agressor, chamado Mateus Almeida Prado.

“Assim que todas as provas testemunhais e periciais forem colhidas, o delegado representa ao juiz pela instalação de incidente de insanidade mental. Aí o juiz concorda ou não”, explicou o delegado.

De acordo com informações, os investigadores também ouviram, nesta terça, uma guarda civil municipal que atendeu a ocorrência. Outros dois guardas já tinham prestado depoimento na tarde de segunda-feira (10), data em que o entregador também foi ouvido.

O advogado do motoboy apresentou, na manhã de segunda, uma representação criminal por injúria racial contra Prado.

Caso é investigado pela Delegacia de Valinhos — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV

Defesa

Nossa reportagem tentou contato com a defesa de Prado nesta terça-feira, mas não conseguiu localizar os advogados. Na sexta-feira (7), quando o caso ganhou repercussão, o pai do agressor alegou que o filho sofre de esquizofrenia paranoide.

Na delegacia, o pai apresentou um atestado médico de tratamento. O homem disse que “Mateus recebeu educação para tratar com respeito o próximo, independente de classe social, credo ou raça. Valores que lhe foram furtados pela esquizofrenia”. A nota da família ainda pede desculpas ao motoboy e todos os trabalhadores que se sentiram atingidos com o episódio.

De acordo com o psiquiatra da USP Paulo Clemente Sallet, o comportamento do morador precisaria de investigação mais detalhada, mas afirmou que, no vídeo, ele não parecia estar em surto psicótico.

“Aparentemente, no fragmento apresentado, esse rapaz não estava em surto psicótico. Ele tinha capacidade mental, cognitiva e de autocontrole, que é demonstrado nas atitudes que ele tem no vídeo. Pela expressão verbal, pelos gestos e pela atitude que se vê no vídeo, eu afirmaria que esse rapaz no momento da agressão não parecia estar numa crise psicótica”, disse Sallet.

Motoboy sofreu ofensas raciais em Valinhos — Foto: Reprodução/EPTV

Protesto da categoria

O condomínio Vila Bela Vista colocou uma faixa de repúdio contra o morador ao lado da portaria. A administração solicitou que uma viatura da Polícia Militar fizesse um monitoramento na área. No sábado (8), motoboys da região de Campinas (SP) fizeram uma manifestação pacífica em frente ao local, com um buzinaço. O condomínio fica no bairro Chácaras Silvania.

Barbosa agradeceu as manifestações a seu favor e reiterou o desejo para que elas continuem pacíficas. Em entrevista, o motoboy detalhou a discussão e as ofensas sofridas pelo morador. O profissional afirmou que, em outra oportunidade, o homem já havia sido grosseiro por ele não ter achado o endereço da residência.

Vaquinha e exclusão de app

Internautas se mobilizaram para criar uma “vaquinha” on-line e ajudar o entregador. Na manhã desta segunda, o valor arrecado já estava em R$ 151.715, ultrapassando a meta de R$ 150 mil. Segundo os organizadores, o objetivo é auxiliar na compra de uma casa e nos investimentos dos estudos futuros. Por conta do episódio, o motoboy ficou conhecido na internet e já está com 2 milhões de seguidores no Instagram.

O aplicativo de entrega de comida IFood se pronunciou sobre o caso e confirmou, em nota, que o usuário será excluído da plataforma de pedidos.

“Baseados nos termos de uso do aplicativo, o IFood descadastrou o usuário agressor da plataforma. A empresa está em contato para oferecer ao entregador apoio jurídico e psicológico”, diz a empresa ao mencionar que censura preconceito ou discriminação.

O caso

Um vídeo mostra o momento em que o homem ofende o profissional e diz que ele tem “inveja disso aqui”, apontando para a própria pele. O caso ocorreu em 31 de julho e as imagens viralizaram no dia 7 de agosto.

Durante a discussão, o rapaz ainda ofendeu o entregador, o chamando de “semianalfabeto”; repete que ele tem inveja da vida que as pessoas que moram no condomínio dele têm; e diz que o profissional não tem onde morar nem “nunca vai ter” nada do que ele estava mencionando. O vídeo foi gravado por um vizinho.

“Eu falei pra ele que ele não podia fazer mais isso porque ninguém gostava desse tipo de atitude. O que ele faz é pra se mostrar superior as pessoas. Teve um momento que ele cuspiu em mim, jogou a nota no chão e disse que eu era lixo. Na frente da polícia, ele continuou com as agressões, me chamou de favelado”, contou Matheus Pires Barbosa.

COM INF. G1 Campinas e EPTV –

Jornal Digital do Brasil

Jornal Digital do Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *