VALE A PENA ALERTAR DE NOVO . Câncer é a principal causa de mortes em Jaguariúna; cidade é a segunda em óbitos do estado

VALE A PENA ALERTAR DE NOVO .  Câncer é a principal causa de mortes em Jaguariúna; cidade é a segunda em óbitos do estado

De acordo com o levantamento, a doença é a principal causa de mortes em 10% dos municípios brasileiros.

Por G1 Campinas e Região


Vista aérea de Jaguariúna — Foto: Nivaldo Esperança (Drone)/Reprodução Prefeitura de Jaguariúna

Vista aérea de Jaguariúna — Foto: Nivaldo Esperança (Drone)/Reprodução Prefeitura de Jaguariúna

O câncer é a principal causa de mortes em Jaguariúna (SP), segundo o levantamento do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). A cidade é a única da Região Metropolitana de Campinas (RMC) citada na lista do estudo nacional.

De acordo com a pesquisa, que se baseou no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), foram 73 mortes registradas em 2015, dado mais recente do cadastro nacional. O município é o segundo em números absolutos do estado. Piracicaba (SP) é a primeira, com 528 óbitos.

O relatório não informa quais os tipos e os motivos, mas o G1 teve acesso ao histórico de casos de neoplasias entre os anos de 2010 e 2017 no município.

Os cânceres no aparelho digestivo surgem em primeiro lugar. Em seguida, os registros no aparelho pulmonar. Em terceiro lugar, os casos de câncer de cólo de útero. Os dados são da Secretaria de Saúde.

9,2% das cidades brasileiras

O câncer já é a principal causa de óbitos em 516 dos 5.570 municípios brasileiros, ou seja, em 9,2% deles .

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Clóvis Klock, o avanço dos casos de câncer no país está ligado ao fato de o brasileiro viver mais – em torno dos 80 anos-, ter vida sedentária e alimentação pouco saudável. Outros fatores decisivos são os reflexos da poluição do meio ambiente e o uso do tabagismo.

Ainda segundo o presidente da SBP, os gestores de saúde devem focar no diagnóstico rápido para reduzir a mortalidade.

“ O que a medicina pode fazer? O diagnóstico precoce é necessário. E o diagnóstico precoce é o que nós estamos pecando hoje em dia”, alerta Klock.

O que diz Jaguariúna

A secretária de saúde de Jaguariúna, Maria do Carmo de Oliveira Pelisão, disse ao G1 ter percebido o aumento das neoplasias no município desde que assumiu o cargo no ano passado.

Segundo ela, para reverter os casos, estão sendo implantados desde 2017 programas para incentivar práticas saudáveis, tanto no tocante à alimentação saudável como atividades físicas.

“Estamos trabalhando muito na qualidade de vida. Nossa lógica é inverter [casos] investindo na atenção básica, que tem mais chances de cura. Um dos caminhos é investir na criança e no adolescente”, afirma a secretária.

A gestora da saúde local ressaltou ainda que o município tem grande parcela de idosos e migração, que podem influenciar na quantidade de óbitos por câncer. Cerca de 20% dos moradores são idosos, segundo informações baseadas no Cartão Cidadão de Jaguariúna.

Dados Brasil

A pesquisa sobre os casos de morte por câncer no Brasil aponta que metade dos óbitos se concentra nas faixas de 60 a 69 anos (25%) e 70 a 79 anos (25%). Em seguida, segundo o estudo estão os pacientes com mais de 80 anos (20%).

Quantidades de óbitos por câncer

Faixa EtáriaQuantidade de Óbitos
0 a 9 anos56
10 a 19 anos71
20 a 29 anos109
30 a 39 anos252
40 a 49 anos690
50 a 59 anos1700
60 a 69 anos2408
70 a 79 anos2474
80 anos e mais1925

Fonte: Conselho Federal de Medicina

Estatísticas de câncer


A incidência, a morbidade hospitalar e a mortalidade são medidas de controle para a vigilância epidemiológica que permitem analisar a ocorrência, a distribuição e a evolução das doenças. Conhecer informações sobre o perfil dos diferentes tipos de câncer e caracterizar possíveis mudanças de cenário ao longo do tempo são elementos norteadores para ações de Vigilância do Câncer – componente estratégico para o planejamento eficiente e efetivo dos programas de prevenção e controle de câncer no Brasil. A base para a construção desses indicadores são os números provenientes, principalmente, dos Registros de Câncer e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS).

Acesse aqui a estimativa de casos novos.

– Em homens, Brasil, 2018

Localização Primária Casos Novos %
Próstata 68.220 31,7
Traqueia, Brônquio e Pulmão 18.740 8,7
Cólon e Reto 17.380 8,1
Estômago 13.540 6,3
Cavidade Oral 11.200 5,2
Esôfago 8.240 3,8
Bexiga 6.690 3,1
Laringe 6.390 3,0
Leucemias 5.940 2,8
Sistema Nervoso Central 5.810 2,7
Todas as Neoplasias, exceto pele não melanoma 214.970 100,0
Todas as Neoplasias 300.140  

– Em mulheres, Brasil, 2018

Localização Primária Casos Novos %
Mama feminina 59.700 29,5
Cólon e Reto 18.980 9,4
Colo do útero 16.370 8,1
Traqueia, Brônquio e Pulmão 12.530 6,2
Glândula Tireoide 8.040 4,0
Estômago 7.750 3,8
Corpo do útero 6.600 3,3
Ovário 6.150 3,0
Sistema Nervoso Central 5.510 2,7
Leucemias 4.860 2,4
Todas as Neoplasias, exceto pele não melanoma 202.040 100,0
Todas as Neoplasias 282.450  

Fonte:

  • MS / INCA / Estimativa de Câncer no Brasil, 2018
  • MS / INCA / Coordenação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilância e Análise de Situação

Mortalidade conforme a localização primária do tumor e sexo.

– Em homens, Brasil, 2017

Localização Primária Óbitos %
Traqueia, Brônquios e Pulmões 16.137 14,0
Próstata 15.391 13.4
Cólon e Reto 9.207 8,0
Estômago 9.206 8.0
Esôfago 6.647 5,8
Fígado e Vias biliares intra-hepáticas 5.908 5,1
Pâncreas 5.316 4,6
Localização primária desconhecida 4.941 4,3
Cavidade oral 4.923 4,3
Sistema Nervoso Central 4.795 4,2
Todas as neoplasias 115.057 100,0

– Em mulheres, Brasil, 2017

Localização Primária Óbitos %
Mama 16.724 16,1
Traqueia, Brônquios e Pulmões 11.792 11,4
Cólon e Reto 9.660 9,3
Colo do útero 6.385 6,2
Pâncreas 5.4385,2
Estômago5.1074,9
Localização primária desconhecida 4.714 4,6
Fígado e Vias biliares intra-hepáticas 4.292 4,1
Sistema Nervoso Central 4.401 4,1
Ovário 3.879 3,7
Todas neoplasias 103,583 100,0

Fonte:

  • MS / SVS/DASIS/CGIAE/Sistema de Informação sobre Mortalidade, 2019
  • MS / INCA / Coordenação de Prevenção e Vigilância / Divisão de Vigilância e Análise de Situação, 2019

Jornal Digital do Brasil

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